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14 de nov. de 2011

IYAMI OXORONGÁ!...

Image du Blog monia2009.centerblog.net


Quando se pronuncia o nome de Iyami Oxorongá quem estiver sentado deve se levantar, quem estiver de pé fará uma reverência pois esse é um temível Orixá, a quem se deve respeito completo.

Pássaro africano, Oxorongá emite um som onomatopaico de onde provém seu nome. É o símbolo do Orixá Iyami, ai o vemos em suas mãos. Aos seus pés, a coruja dos augúrios e presságios. Iyami Oxorongá é a dona da barriga e não há quem resista aos seus ebós fatais, sobretudo quando ela executa o Ojiji, o feitiço mais terrível. Com Iyami todo cuidado é pouco, ela exige o máximo respeito. Iyami Oxorongá, bruxa é pássaro.

As ruas, os caminhos, as encruzilhadas pertencem a Esu. Nesses lugares se invoca a sua presença, fazem-se sacrifícios, arreiam-se oferendas e se lhe fazem pedidos para o bem e para o mal, sobretudo nas horas mais perigosas que são ao meio dia e à meia-noite, principalmente essa hora, porque a noite é governada pelo perigosíssimo odu Oyeku Meji.

À meia-noite ninguém deve estar na rua, principalmente em encruzilhada, mas se isso acontecer deve-se entrar em algum lugar e esperar passar os primeiros minutos. Também o vento (afefe) de que Oya ou Iansan é a dona, pode ser bom ou mau, através dele se enviam as coisas boas e ruins, sobretudo o vento ruim, que provoca a doença que o povo chama de "ar do vento".

Ofurufu, o firmamento, o ar também desempenha o seu papel importante, sobretudo á noite, quando todo seu espaço pertence a Eleiye, que são as Ajé, transformadas em pássaros do mal, como Agbibgó, Elùlú, Atioro, Osoronga, dentre outros, nos quais se transforma a Ajé-mãe, mais conhecida por Iyami Osoronga. Trazidas ao mundo pelo odu Osa Meji, as Ajé, juntamente com o odu Oyeku Meji, formam o grande perigo da noite. Eleiye voa espalmada de um lado para o outro da cidade, emitindo um eco que rasga o silêncio da noite e enche de pavor os que a ouvem ou vêem.

Todas as precauções são tomadas. Se não se sabe como aplacar sua fúria ou conduzí-la dentro do que se quer, a única coisa a se fazer é afugentá-la ou esconjurá-la, ao ouvir o seu eco, dizendo Oya obe l’ori (que a faca de Iansã corte seu pescoço), ou então Fo, fo, fo (voe, voe, voe).

Em caso contrário, tem-se que agradá-la, porque sua fúria é fatal. Se é num momento em que se está voando, totalmente espalmada, ou após o seu eco aterrorizador, dizemos respeitosamente A fo fagun wo’lu ( [saúdo] a que voa espalmada dentro da cidade), ou se após gritar resolver pousar em qualquer ponto alto ou numa de suas árvores prediletas, dizemos, para agradá-la Atioro bale sege sege ([saúdo] Atioro que pousa elegantemente) e assim uma série de procedimentos diante de um dos donos do firmamento à noite.

Mesmo agradando-a não se pode descuidar, porque ela é fatal, mesmo em se lhe felicitando temos que nos precaver. Se nos referimos a ela ou falamos em seu nome durante o dia, até antes do sol se pôr, fazemos um X no chão, com o dedo indicador, atitude tomada diante de tudo que representa perigo. Se durante à noite corremos a mão espalmada, à altura da cabeça, de um lado para o outro, afim de evitar que ela pouse, o que significará a morte. Enfim, há uma infinidade de maneiras de proceder em tais circunstâncias.


Fonte: As Senhoras do Pássaro da Noite

Iyami Oshorongá é o termo que designa as terríveis ajés, feiticeiras africanas, uma vez que ninguém as conhece por seus nomes. As Iyami representam o aspecto sombrio das coisas: a inveja, o ciúme, o poder pelo poder, a ambição, a fome, o caos o descontrole. No entanto, elas são capazes de realizar grandes feitos quando devidamente agradadas. Pode-se usar os ciúmes e a ambição das Iyami em favor próprio, embora não seja recomendável lidar com elas.

O poder de Iyami é atribuído às mulheres velhas, mas pensa-se que, em certos casos, ele pode pertencer igualmente a moças muito jovens, que o recebem como herança de sua mãe ou uma de suas avós.

Uma mulher de qualquer idade poderia também adquiri-lo, voluntariamente ou sem que o saiba, depois de um trabalho feito por alguma Iyami empenhada em fazer proselitismo.

Existem também feiticeiros entre os homens, os oxô, porém seriam infinitamente menos virulentos e cruéis que as ajé (feiticeiras).

Ao que se diz, ambos são capazes de matar, mas os primeiros jamais atacam membros de sua família, enquanto as segundas não hesitam em matar seus próprios filhos. As Iyami são tenazes, vingativas e atacam em segredo. Dizer seu nome em voz alta é perigoso, pois elas ouvem e se aproximam pra ver quem fala delas, trazendo sua influência.

Iyami é freqüentemente denominada eleyé, dona do pássaro. O pássaro é o poder da feiticeira; é recebendo-o que ela se torna ajé. É ao mesmo tempo o espírito e o pássaro que vão fazer os trabalhos maléficos.

Durante as expedições do pássaro, o corpo da feiticeira permanece em casa, inerte na cama até o momento do retorno da ave. Para combater uma ajé, bastaria, ao que se diz, esfregar pimenta vermelha no corpo deitado e indefeso. Quando o espírito voltasse não poderia mais ocupar o corpo maculado por seu interdito.

Iyami possui uma cabaça e um pássaro. A coruja é um de seus pássaros. É este pássaro quem leva os feitiços até seus destinos. Ele é pássaro bonito e elegante, pousa suavemente nos tetos das casas, e é silencioso.

"Se ela diz que é pra matar, eles matam, se ela diz pra levar os intestinos de alguém, levarão".
Ela envia pesadelos, fraqueza nos corpos, doenças, dor de barriga, levam embora os olhos e os pulmões das pessoas, dá dores de cabeça e febre, não deixa que as mulheres engravidem e não deixa as grávidas darem à luz.

As Iyami costumam se reunir e beber juntas o sangue de suas vítimas. Toda Iyami deve levar uma vítima ou o sangue de uma pessoa à reunião das feiticeiras. Mas elas têm seus protegidos, e uma Iyami não pode atacar os protegidos de outra Iyami.

Iyami Oshorongá está sempre encolerizada e sempre pronta a desencadear sua ira contra os seres humanos. Está sempre irritada, seja ou não maltratada, esteja em companhia numerosa ou solitária, quer se fale bem ou mal dela, ou até mesmo que não se fale, deixando-a assim num esquecimento desprovido de glória. Tudo é pretexto para que Iyami se sinta ofendida.

Iyami é muito astuciosa; para justificar sua cólera, ela institui proibições. Não as dá a conhecer voluntariamente, pois assim poderá alegar que os homens as transgridem e poderá punir com rigor, mesmo que as proibições não sejam violadas. Iyami fica ofendida se alguém leva uma vida muito virtuosa, se alguém é muito feliz nos negócios e junta uma fortuna honesta, se uma pessoa é por demais bela ou agradável, se goza de muito boa saúde, se tem muitos filhos, e se essa pessoa não pensa em acalmar os sentimentos de ciúme dela com oferendas em segredo. É preciso muito cuidado com elas. E só Orunmilá consegue acalmá-la.

(Do livro "Mural dos Orixás" de Caribé e texto de Jorge Amado - Raízes Artes Gráficas)

5 de out. de 2011

OXAGUIÃ!...


Saudação:
"Epà Bàbá! Exê êêê Bàbá!" - Viva o pai!
Quem é Oxaguian:
O Orixá jovem e guerreiro;
O que Oxaguian faz:
Protege o ser vivo, dá felicidade, progresso, saúde;
Cultuado no dia da semana:
Sexta-feira;
Suas Cores:
Branco, segui;
Seus Símbolos:
Odó (Pilão), Igbin (caramujo), espada, escudo, dente de elefante e o marfin;
Seu Elemento:
Ar;
Suas Plantas:
Alecrim, boldo, alomã, saião, malva, folhas de uva, manjericão, elevante, taioba, cajá, romã, gameleira branca, acôcô, macaçá, lírio, abre-caminho, fumo, vassourinha, alfavaca, café, fortuna, girassol;
Seus Animais:
Caramujo;
Seu Metal:
Chumbo, prata e estanho;
Suas Comidas:
Inhame preparado de qualquer forma, mas de preferência pilado; acaçá, obí, arroz, cuscuz, feijão fradinho, pipoca, canjica, coco, frutas, mel, pão;
Suas Bebidas:
Água de coco, caldo de cana, água;
Seu Domínio:
Orúm, o céu;
Personalidade:
Líder, casmurro, pedante, debochado, benevolente, generoso, responsável, mandão, confuso, ansioso, rígido, hipocondríaco;
Quizila:
Depredação da natureza, cachaça, coisas e roupas sujas, rasgadas ou escuras, coisas quentes, muito salgadas ou temperadas, sujeira, agressão aos idosos, muita confusão e principalmente o sangue quente e vermelho que por alguns a ele é oferecido;
Onde recebe oferendas:
Lugares na sombra e no alto, montes, montanhas, mata, cachoeiras;
Riscos de saúde:
Infecções no fígado e tudo que está ligado a este órgão; Problemas na cabeça, olhos, circulação deficiente, problemas de pele e dos rins, vitiligo, dermatoses;
Presentes prediletos:
Suas comidas e bebidas;

26 de abr. de 2011

TEMPO... IROKO... LOKO...


Tempo!...
Senhor das estações do ano, das transformações e mudanças no meio ambiente. Divindade de grande poder e mutação constante.
Ele reside na gameleira branca. É assentado no seu pé, após preparo ritual da raiz, e o tronco é enfeitado com um ojá branco. A relação com esta árvore é comum a várias divindades e exprime sua relação com seus antepassados. Como aluvaiá, tempo carrega para longe os fluídos maléficos. Quando se manifesta os fiéis jogam sobre ele os fluídos que querem se livrar e ele corre para fora do barracão para atirar no mato todo o mau. Às vezes bebe tanto que cai no chão. Cobre-se então com um alà branco e, pouco depois, já recuperado ele ergue-se e volta a dançar. Dança de joelhos no chão e o bravun, ritmo gege, como rangoro. Veste cores fortes, vermelho, azul e verde, às vezes cinza ou marrom e branco e leva uma lança na mão. Suas contas são verde musgo e riscadas de marrom. Às vezes veste-se de palha como kaviungo. Sua incorporação é pouco vista, seus filhos giram tontos, cambaleando pelo barracão antes de caírem fulminados, logo se levantam e se põem a dançar.
Seu assentamento é feito numa gamela oval, se pega um pedaço do tronco da gameleira branca e faz-se uma pequena estátua de um negro africano com um idè branco no nariz, na cabeça um colar de búzios e moedas. Na gamela se põe uma corrente em volta, 6 moedas e no meio da gamela uma seta e a estátua.
Qualidades
- apanga (outono)- murunganga (verão)- kapilecongo (inverno)
- miulo
- amuraxó (bebe muito)
- mavila
- mavulu
- ekicikó
- jabukangue
- lembura
- makuradile (bebe muito)
- evazile
- zalu
- apokan
- polokun
Unsaba
- milame, colônia, saião, iriri, mãe boa, barba de velho, erva prata, crista de galo, noz moscada, abilzeiro, jaqueira e cajueiro. Quando se faz o inkice, se põe uma folha de saco-saco embaixo do pé do ìmona xikola uma folha de saco-saco e na boca uma folha de assa-peixe.
Seus bichos:
- um cabrito de chifre virado;- quatro frangos de esporão grande;
- um galo d’angola;- um pombo branco.após matar os bichos, tira-se a língua de todos eles e as esporas do galo.

30 de abr. de 2010

NANÃ, A DEUSA DA VIDA E DA MORTE...



Nanã é um orixá feminino de origem daomeana, adotada da África que representa o dogbê (vida) e a doku (morte). Ela acolhe em seu ventre os ghedes (mortos) e os prepara para o leko (renascimento). Essa dualidade é representada por Nanã que personifica os pântanos. É neles que a mistura da água (vida) e da terra (morte), formando a lama, existe um portal entre as dimensões dos vivos e dos mortos. O pântano ou a lama, foi o local escolhido por Nanã para ser sua residência. Entretanto, para haver barro ou lama, tem que haver chuva, Nanã passou também a reger a chuva.
Nanã é conhecida por vários nomes, dependendo da região e do dialeto, mas em Dahomey (hoje Benin) na cidade de Domê onde está localizado seu principal templo, ela é conhecida como Nanã Buruku . Ela está fortemente ligada ao elemento terra e é chamada de "Senhora dos Pântanos", assinalando-a como uma Grande Mãe que é responsável pelo sopro da vida e conseqüentemente a morte.
Nanã sempre conduz os seres humanos com muita seriedade, justiça e determinação. Seus cânticos são súplicas para que a morte seja mantida afastada e que a vida seja preservada.
Sendo a personificação da "lama" ou da "chuva", Nana está sempre no principio de tudo, relacionada ao aspecto da formação das questões humanas , de um indivíduo e sua essência. Ela é relacionada também, freqüentemente, aos abismos, tomando então o caráter do inconsciente, dos atavismos humanos. Está relacionada, ainda, ao uso das cerâmicas, momento em que o homem começa a desenvolver cultura (período neolítico).

MITOLOGIA:

Nanã de origem daomeana, foi incorporada há séculos pela mitologia ioruba, quando o povo nagô conquistou o povo do Dahomey (atual República do Benin) , assimilando sua cultura e incorporando alguns Orixás dos dominados à sua mitologia já estabelecida.
Nesse processo cultural, Oxalá (mito ioruba ou nagô) continuou sendo o pai de quase todos os Orixás. Iemanjá (mito igualmente ioruba) é a mãe de seus filhos (nagô) e Nanã (mito jeje) assume a figura de mãe dos filhos daomeanos,. Os mitos daomeanos eram mais antigos que os nagôs (vinham de uma cultura ancestral que se mostra anterior à descoberta do fogo). Tentou-se, então, acertar essa cronologia com a colocação de Nanã e o nascimento de seus filhos, como fatos anteriores ao encontro de Oxalá e Iemanjá.
Muitas pesquisas apontam ainda que os iorubas começaram a ter um conceito de Deus Supremo antes inexistente, e que esse conceito pode ser conseqüência da influência dos maometanos do norte da África sobre a população negra mais próxima. Assim Nanã assume, como outros Orixás femininos, o conceito de maternidade como função principal.
É neste contexto, que Nanã apareceria como a primeira esposa de Oxalá, tendo com ele três filhos: Iroco (ou Tempo), Omulu (ou Obaluaê, orixá da varíola) e Oxumarê (orixá do arco-íris).
E teria tido uma filha, Ewá, nascida de uma relação entre Nanã e Oxóssi, ou ainda, entre Nanã e Orunmilá, conforme o mito.

NANÃ NO BRASIL:

Aqui no Brasil, os escravos africanos introduziram com muito êxito suas divindades, como a Deusa Nanã, Oya, entre outras, nas religiões como o candomblé, a umbanda e o batuque. Essas religiões incluem a possessão por parte dos deuses. Quando Nanã se manifesta numa de suas iniciadas é saudada pelos gritos de Salúba!

SEUS INICIADOS:

Seus sacerdotes e sacerdotisas são experientes à prática da medicina através das ervas, pois Nanã é detentora do conhecimento do uso terapêutico delas (ervas). Mas a Deusa explica ainda, que além do uso terapêutico das folhas e de alguns produtos animais, as doenças podem ter origem espiritual e portanto, requer tratamento nesse sentido. Mas, qualquer que seja a origem da doença, se a pessoa enferma recorrer à Nanã, obterá o remédio curador.
Muitas mulheres recorrem à essa Deusa quando não conseguem engravidar e Nanã ensina prontamente a mistura de ervas que deve tomar, assim como os "ebós" e oferendas que devem ser feitos. Caso sejam atendidas, é costume na África, em homenagem à Deusa, acrescentar ao nome da criança a palavra "nanã". Todos seus sacerdotes e sacerdotisas também usam na frente do nome esse prefixo.

O culto de iniciação dos "filhos" de Nanã requer uma série de cuidados especiais, tanto aqui no Brasil como na África. Durante um período é necessário abster-se de sexo, bebidas alcoólicas, qualquer tipo de droga ou vício, pelo menos por 2 meses antes. Nesse período são realizados vários "ebós" na casa do santo.
Na África as mulheres menstruadas são impedidas de entrar em seu templo ou fazer comida de santo. Nanã fala que a bogami (menstruação) é um sangue impuro e diz para as mulheres não cozinharem para seus maridos quando estiverem menstruadas. Aqui vemos claramente traços de um período muito arcaico (neolítico) em que o sangue da menstruação ainda era considerado impuro.

NANÃ E HÉCATE:

Nanã é também uma Deusa da Lua Escura que muito se assemelha a Hécate nas funções de regente dos processos misteriosos da vida e da morte, das passagens difíceis da vida e da entrada nos caminhos árduos da transformação. A nível psíquico, essas passagens não podem ser eliminadas do curso normal da vida.
Nanã, assim como Hécate é a Deusa Terra primordial que dá nascimento às sementes e acolhe em seu seio os mortos. Tanto pode dar vida como a morte, seqüências da mesma realidade. É ainda, Dona da sabedoria e da justiça, que vem da natureza e a sua lei é implacável.
Nanã o Orixá feminino mais velho do panteão, pelo que é altamente respeitada. Veste-se de branco e azul. Suas contas são de louça branca com riscos azuis. Traz na mão o Ibiri, seu cetro, que é feito com palitos de dendezeiro e nasceu junto com ela, na sua placenta. O sincretismo de Nanã com Sant'Ana, avó maternal de Jesus, e padroeira dos professores, reforça a impressão de que ela é muito antiga e que sua chegada ao Brasil foi anterior à dos Yorubas.
A Deusa tanto pode trazer riquezas como miséria. Está relacionada, ainda, ao uso das cerâmicas, momento em que o homem começa a desenvolver cultura. Os búzios, que simbolizam morte por estarem vazios e fecundidade porque lembram os órgãos genitais femininos, também pertencem a Nana.
Entretanto, o símbolo que melhor sintetiza o caráter de Nana é o "grão", pois ela possui o domínio da agricultura e todo "grão" tem que morrer para germinar.


MITOLOGIA:

LENDA 1 (Mitologia Fon)
Na mitologia Fon, Nanã Buruku (ou Buluku) que deu nascimento ao gêmeos: Lisa e Mawu. Mawu era a Lua, que teve força ao longo da noite e viveu no oeste. Lisa era o Sol, que fez sua morada no Leste. Quando existia um eclipse dizia-se que Mawu e Lisa estavam fazendo amor. Mawu-Lisa criaram todo o Universo e os Voduns juntos. Eles eclipsaram várias vezes e tiveram no total sete casais de gêmeos (sempre um masculino e o outro feminino).
Mawu e Lisa chamaram seu filhos e os enviaram à Terra como os primeiros habitantes e para que esses os ajudassem a governar a Terra, deram a cada um uma atribuição. Os principais Voduns são: Loko; Gu; Heviossô; Sakpatá; Dan; Agbê; Águé; Ayizan; Agassu; Legba e Fa.
Com o nascimento desses filhos, Nana criou a dualidade que daria o equilíbrio ao mundo e aos seres viventes.Mawu é o princípio feminino, a fertilidade, a suavidade, a compreensão, a ponderação, a reconciliação e o perdão. Já Lisa é o princípio masculino, o julgador, a impaciência, a força cósmica que castiga os homens errados e os corrige, a seriedade. Ele está sempre atento para que as leis de Mawu sejam cumpridas.
Os fons, ao chegarem no Brasil, eram chamados de "Jejes", implantaram aqui o seu culto, baseado na rica, complexa e elevada Mitologia Fon. Sua entrada no em nosso país ocorreu em meados do século XVII.
Djedje (jeje) é uma palavra de origem yoruba que significa estrangeiro, forasteiro e estranho; que recebeu uma conotação pejorativa como “inimigo”, por parte dos povos conquistados pelos reis de Dahomey e seu exército. Quando os conquistadores eram avistados pelos nativos de uma aldeia, muitos gritavam dando o alarme “Pou okan, djedje hum wa!” (olhem, os jejes estão chegando!).
Quando os primeiros daomeanos chegaram ao Brasil como escravos, aqueles que já estavam aqui reconheceram o inimigo e gritaram “Pou okan, djedje hum wa!”; e assim ficou conhecido o culto dos Voduns no Brasil “nação Jeje”.

NANÃ BURUKU:

Nanã Buruku está associada com as Onze Energias cósmicas e é íntima delas compreendidas ma religião da Umbanda. É denominada como a "Avó de todos os Orixás". Nada acontece sem que ela tenha conhecimento, sempre presente, desde a criação incessante do universo até o desenrolar contínuo da atividade existencial de todos os seres e elementos que compõem o organismo vivo do nosso planeta. Soma-se com outras Energias para, juntas, comporem a forma mais sutil e perspicaz orixá: Oxumaré que personifica a curva do arco-íris.
Na Umbanda, Nanã é configurada pelos fiéis e "filhos de cabeça" como sendo fisicamente uma senhora sempre curvada pelo peso das eras e cujo rosto nunca é visto, porque está sempre encoberto. Sua imagem está projetada na figura de um devoto que canta e dança em seu louvor, mimeticamente, como se embalasse uma criança. Outras vezes com as mãos juntas como se socasse um pilão. Sua postura em muito se parece com o orixá Omolu com o qual parte e reparte suas próprias vibrações preferenciais e idiossincrásicas.
É conhecida também por: Bukuú (Togo), Naná Buluku (Benin, ex-Daomé), Borokô (candomblés de caboclo), Tobossi (fantiashanti), Kerê-Kerê (Angola e Congo) e mais as variantes Naná, Nanã, Nanã Buruquê, Buruku, Ananburuquê, Anaburuku, Naná Buku, Naná Brukung e, na língua yoruba como Nanã Buruiku.

LENDA 1:

Dizem que quando Olorum, o ser Supremo, encarregou Oxalá de fazer o mundo e modelar o ser humano, Oxalá tentou vários caminhos.

Tentou fazer o Homem de ar, como ele. Não deu certo, pois o Homem logo se desvaneceu. Tentou fazer de pau, mas a criatura ficou dura. De pedra, mas ainda a tentativa foi pior. Fez de fogo e o Homem se consumiu. Tentou azeite, água e até vinho de palma, e nada.

Foi então que Nanã veio em seu socorro e deu a Oxalá a lama, o barro do fundo da lagoa onde morava ela, a lama sob as águas, que é Nanã. Oxalá criou o Homem, o modelou no barro. Com o sopro de Olorum ele caminhou. Com a ajuda dos Orixás povoou a terra.

Mas tem um dia que o homem tem que morrer. O seu corpo tem que voltar a terra, voltar a natureza de Nanã. Nanã deu a matéria no começo, mas quer de volta no final tudo o que é seu.
Essa lenda descreve a natureza de Nanã como a Grande Mãe de onde tudo nasce e tudo retorna.

LENDA 2:
Essa terceira lenda conta que Nanã foi conquistar o reino de Oxalá e acabou sendo conquistada por ele. Entretanto, o deus amava muito sua esposa, Iemanjá, e jamais se envolveria com Nanã. Essa então, o embriagou e o seduziu, engravidando. Desse ato adúltero nasceu Obaluiaê, uma criança muito feia e deformada que foi abandonada no mar. Iemanjá o encontrou meio morto e todo mordido pelos peixes e o cuidou até que ficasse curado. Para esconder as cicatrizes que permaneceram em seu corpo, ele foi coberto de palha. Assim cresceu Obaluaiê, sempre coberto por palhas, escondendo-se das pessoas, taciturno e compenetrado, sempre sério e até mal-humorado.

Um dia, caminhando pelo mundo, sentiu fome e pediu às pessoas de uma aldeia por onde passava que lhe dessem comida e água. Mas as pessoas, assustadas com o homem coberto desde a cabeça com palhas, expulsaram-no da aldeia e não lhe deram nada. Obaluaiê, triste e angustiado saiu do povoado e continuou pelos arredores, observando as pessoas.

Durante este tempo os dias esquentaram, o sol queimou as plantações, as mulheres ficaram estéreis, as crianças cheias de varíola, os homens doentes. Acreditando que o desconhecido coberto de palha amaldiçoara o lugar, imploraram seu perdão e pediram que ele novamente pisasse na terra seca. Ainda com fome e sede, Obaluaiê atendeu ao pedido dos moradores do lugar e novamente entrou na aldeia, fazendo com que todo o mal acabasse. Então homens o alimentaram e lhe deram de beber, rendendo-lhe muitas homenagens. Foi quando Obaluaiê disse que jamais negassem alimento e água a quem quer fosse, tivesse a aparência que tivesse. E seguiu seu caminho.

Chegando à sua terra, encontrou uma imensa festa dos orixás. Como não se sentia bem entrando numa festa coberto de palhas, ficou observando pelas frestas da casa. Neste momento Iansã, a deusa dos ventos, o viu nesta situação e, com seus ventos levantou as palhas, deixando que todos vissem um belo homem, já sem nenhuma marca, forte, cheio de energia e virilidade E dançou com ele pela noite adentro. A partir deste dia, Obaluaiê e Iansã-Balé se uniram contra o poder da morte, das doenças e dos espíritos dos mortos, evitando desgraças aconteçam aos homens.

Essa lenda nos aconselha a nunca negar auxílio, qualquer que seja, às pessoas que nos procuram. Além disso, nos diz para termos esperança, pois "não há mal que sempre dure.." e sempre há um recomeço, mesmo após um grande e penoso sofrimento.

LENDA 3:

"Nanã era esposa de Ogum e ocupava o cargo de juíza no Daomé. Só julgava os homens, sendo muito respeitada pelas mulheres que eram consideradas Deusas.

Ela morava numa bela casa com jardim. Quando alguém apresentava alguma reclamação sobre seu marido, ela amarrava a pessoa numa arvore e pediu aos eguns para assustá-la.

Certa noite, Iansã reclamou de Ogum e ele foi amarrado no jardim. A noite, conseguiu escapulir e foi falar com ifá. A situação não podia continuar e, assim, ficou acertado que oxalá tiraria os poderes de Nanã. Ele se aproximou e ofereceu a ela suco de igbin, um tipo de caramujo. Ao beber o preparado, Nanã adormeceu. Oxalá então vestiu-se de mulher e, imitando o jeito de Nanã, pediu aos Eguns que fossem embora de seu jardim para sempre.
Quando Nanã acordou e percebeu o que Oxalá tinha feito, obrigou-o a tomar o mesmo preparado de igbin e seduziu o orixá. Oxalá saiu correndo e contou para Ogum o que havia acontecido. Indignado, este cortou relações com Nanã. E é por isso que nas oferendas a Nanã não é usado nenhum objeto de metal.

Uma outra lenda registra que, numa reunião, os orixás aclamaram ogum como o mais importante deles e que Nanã, não se conformando em ser derrotada por ele, assumiu que não mais usaria os utensílios de metal criados pelo orixá guerreiro (escudos e lanças de guerra, facas e setas para caça e pesca). Por isso, que ela não aceita oferendas em que apresentem objetos de metal."
(Lenda retirada do portal http://www.orixas.com.br)
Essa lenda, vem de encontro à tese de alguns historiadores que afirmam que a Deusa Nanã é anterior a Idade do Ferro.

DISPUTA ENTRE NANÃ BURUKU E OGUM (Segundo Pierre Verger)

"Nanã Buruku é uma velhíssima divindade das águas, vinda de muito longe e há muito tempo. Ogum é um poderoso chefe guerreiro que anda sempre à frente dos outros Imalés.
Um dia eles vão a uma reunião. É a reunião dos duzentos Imalés da direita e dos quatrocentos Imalés da esquerda. Eles discutem sobre os seus poderes. Eles falam muito sobre Obatalá, aquele que criou os seres humanos. Eles falam muito sobre Orunmilá, o senhor do destino dos homens. Eles falam sobre Exu:
-"Ah! É um importante mensageiro!"
Eles falam muita coisa a respeito de Ogum. Eles dizem:
-"É graças a seus instrumentos que nós podemos viver. Declaramos que é o mais importante entre nós!"
Nanã Buruku contesta, então:
-"Não digam isso. Que importância tem, então, os trabalhos que ele realiza?"
Os demais orixás respondem:
-"É graças a seus instrumentos que trabalhamos pelo nosso alimento. É graças a seus instrumentos que cultivamos os campos. São eles que utilizamos para esquartejar os animais".
Nanã concluiu que não renderá homenagem a Ogum.
-"Porque não haverá um outro Imalé mais importante?"
Ogum diz:
-"Ah!Ah! Considerando que todos os outros Imalés me rendem homenagem, me parece justo, Nanã, que você também o faça."
Nanã responde que não reconhece sua superioridade. Ambos discutem por muito tempo.
Ogum perguntando:
-"Você pretende que seja dispensável?"
Nanã garantindo que isto ela podia afirmar dez vezes.
Ogum diz então:
"Muito bem! Você vai saber que sou indispensável para todas as coisas".
Nanã, por sua vez, declara que, a partir daquele dia, ele não utilizará, absolutamente nada, fabricado por Ogum e, ainda assim, poderá tudo realizar.
Ogum questiona:
-"Como você o fará? Você não sabe que sou o proprietário de todos os metais? Estanho, chumbo, ferro, cobre. Eu os possuo todos".
Os filhos de Nanã eram caçadores. Para matar um animal eles passaram a se servir de um pedaço de pau, afiado em forma de faca, para esquartejá-lo. Os animais oferecidos a Nanã são mortos e decepados com instrumentos de madeira. Não se pode utilizar faca de metal para cortar sua carne, por causa da disputa que, desde aquele dia, opôs Ogum a Nanã".
(Lenda retirada do livro "Lendas Africanas dos Orixás" de Pierre Fatumbi Verger, págs. 62-64.)


DEUSA DA VIDA, DA MORTE E DO RENASCIMENTO:

Nanã é uma Deusa que se inseri no período Neolítico ou até antes dele, onde não existe distinção alguma entre a Deusa que atrai a vida e a que atrai a morte, mas ambas se experimentam como uma unidade, através da Grande Mãe que engloba a totalidade da vida e da morte. A Deusa transforma a experiência da morte em como o renascimento à outra dimensão.
O período Neolítico foi uma fase de descobrimentos e o resultado disso foi uma nova relação com o universo. Foi nesse tempo que a humanidade compreendeu e passou a participar dos misteriosos processos de crescimento. Com a compreensão que certas sementes podiam ser convertidas em trigo e depois transformados em pão, e que certos animais vivendo perto das casas, poderia prover-lhes de leite, carne, surgiu um novo espírito que cooperação consciente entre os seres humanos e seu mundo. A vida do cosmos se converteu em uma história que incluía o homem como um de seus personagens.
Os povos deste período não puderam de realizar uma analogia de suas vidas com as das sementes que, plantadas na terra, incubavam e voltavam a emergir como grão verde ou dourado. Os rituais que evocavam o nascimento, que chorava a morte e que celebravam o renascimento da raiz mostra o quanto era vital essa analogia para a imaginação humana, pois situava a regeneração como o núcleo da vida.
A fonte secreta da vida estava agora escondida nas profundezas da terra (útero da Deusa). Os seres humanos agora nascem dela, se alimentam dela e são acolhidos por ela.
As inumeráveis formas de cerâmica neolítica revelam o alcance imaginativo dos povos, que refletiam sobre o mistério do nascimento associando-o ao mais amplo mistério do nascimento de toda a vida mediante o "Corpo" da Deusa. As imagens da Deusa a mostram como o portal ou umbral através da qual penetra vida ou abandona esse mundo.

Toda a Grande Mãe, segundo Carl Jung, personifica o nosso inconsciente, portanto, um aspecto gerador, protetor e positivo, apesar do seu lado devorador e negativo. Todo o tipo de medo, como o medo da morte, do desconhecido, do novo, está ligado ao medo do inconsciente. O inconsciente, como a Grande Mãe, é a fonte primordial da criação, mas se o fascínio dela for forte demais, ela é o poder oculto que, em certas ocasiões, impede o livre desenvolvimento da comunicação normal. Mas, se encararmos essa realidade básica, podemos desistir de sermos tão agradáveis aos imperativos ideais do mundo patriarcal e atingirmos uma base sólida, de onde tudo isso parece irrelevante.

A DIFUSÃO DA DEUSA NEGRA:

Dos tempos pré-históricos, em torno de trinta mil anos antes da era cristã, provém a Vênus negra de Lespugue, entalhada numa presa de mamute, agora preservada no Musée de l"Homme, em Paris. Por ser anterior a uma época em que não existia conhecimento algum de agricultura, ela é mais do que terra, ela é a própria Vida.
Em Tindari, na costa do Mediterrâneo no leste da Sicília, uma estátua negra da Nossa Senhora possui a inscrição: "nigra sum sed formoso", ou seja, "Sou negra, porém formosa", do Cântico de Salomão 1,5. A Virgem Negra também é encontrada na França, na Espanha, na Suíça e na Polônia.
Não poderia portanto ser essa Nossa Senhora negra a mais antiga das imagens da Deusa?
Há historiadores que postulam que da figura da Deusa Negra procedem todas as demais.
Apesar de que a humanidade surgiu no noroeste da África, é possível que os temas dominantes que se repetem nos mitos e nos rituais de todo o mundo só se desenvolveram quando os povoadores já haviam trasladado à outras regiões.
Historiadores negros do século XX, como John G. Jackson, afirmam que os povos africanos da costa foram consumados marinheiros e exploradores que levaram à Ásia, Europa, América e Oceania a cultura matriarcal da Deusa. Portanto, as virgens negras presentes na Europa, que são interpretadas como representantes da "lua escura" ou ainda, uma "escura faceta" psicológica da Deusa, não são mais do que vestígios da época em a Deusa era realmente negra.
É inegável a vastíssima contribuição da cultura africana na cultura, na religião e nos costumes aqui do Brasil. Nada mais fácil sentir esse contribuição no que tange as religiões que hoje são afro-brasileiras. Deusas como Iemanjá, Iansã, Oxum, Nanã entre muitas outras também importantes, são muito populares em nosso meio, mas sempre é bom acrescentarmos um pouco mais de conhecimento sobre elas.
Sem nos atermos em questionamentos religiosos, essas Deusas Mães, estão presentes e ativas em nossas vidas, para não nos deixar esquecer que o melhor dos caminhos é o do coração e o da fé. Todas elas simbolizam a força maior, a fagulha divina dentro de nós, a energia que flui nos próprios processos da vida e do viver. Esse conceito da Deusa como processo de vida conduz a outro aspecto da espiritualidade feminina contemporânea, observado entre muitos grupos e indivíduos. Trata-se do sentido da conexão direta com a vida. Muitos são os que pensam que não estamos no topo da natureza, e sim, "somos" a natureza. Esse senso de Unidade, aflora constantemente em conversas e escritos. Isso nos ajuda a compreender que aquilo que poderíamos considerar simplesmente como compaixão ou apoio ou simpatia é o resultado do sentir, intuitivo, dessa ligação direta com a unidade. Essa sensação de Unidade com toda a vida leva muitas mulheres, de forma bastante natural, a uma compreensão direta do motivo pelo qual o sexismo, o racismo e outros "ismos" que criam uma sensação de separação, de "nós e os outros", realmente não fazem sentido.


OUTROS DADOS:

Dia: sábado;
Data: 26 de julho;
Sincretismo: Nossa Senhora Santana
Cor: branco com traços azuis ou roxos;
Partes do corpo: protege a barriga, o útero, a parte genital feminina, protege as mulheres gestantes;
Comida: Mugunzá; Ebô
Símbolo: Ìbírí (feixe de nervura de dendezeiro envolto, que carrega na mão, com uma das pontas voltadas para baixo, simbolizando a vida que retorna).
Saudação: Salubá Nanã! ! ("Dona do pote da Terra!")
Comando da falange de Nanã: Cabocla Janaína
Representação no ponto riscado: uma cruz
Amalá: caruru sem azeite e bem temperado
Planeta regente: Lua (no quarto crescente) e Mercúrio
Ervas para banho e defumação: agapanto lilás, avenca, cipreste, manacá, quaresma, alfavaca, mariazinha, mãe-boa, sempre-viva roxa, erva de passarinho, cajá, mutamba, dama da noite, entre outras.
Flores: as que tenham preferencialmente a tonalidade lilás ou roxa.
Frutos: melão, melancia, abacaxi, banana da terra, graviola, pêssego, , jaca, maçã, entre outras.
Bebidas: Água da chuva, suco das frutas acima mencionadas, bebida feita com ervas e folhas do próprio orixá e champanha.
Local preferido: Nas nuvens ou na junção das águas da chuva com o solo barrento e pantanoso.



Texto pesquisado e desenvolvido por:

( ROSANE VOLPATTO )

Recebi por e-mail.

30 de dez. de 2009

Exú Veludo...



Pertence à Linha das Encruzilhadas.

É assistente imediato do Exu Rei das 7 Encruzilhadas.

Obedece á Ogun.

Seu ponto de força é no lado direito da margem do rio em relação ao por do sol Um outro detalhe observado e que gostam (mas não fazem disso uma constante, talvez devido o ambiente onde está o médium) é o de fazerem os seus médiuns
trabalharem descalços e, quando Exus Veludos caminham, dão a impressão de que estão amassando e/ou pisando sobre areia.

Recebe oferendas de trabalho na beira da água, tanto doce como salgada.

Sua forma astral é na forma de um cavalheiro ricamente vestido, aparecendo entretanto como característica dissonante de sua personalidade.

Veste-se elegantemente de vermelho e preto, também com capa nessa cor.

Bebe todos os tipos de bebidas finas e fortes e fuma charutos de boa qualidade.

A origem do nome é bem antiga, do tempo em que as pessoas de fala mansa, calma, tranqüila, eram lembradas como: "tal pessoa é um veludo no falar".

Portanto, a onomatopéia da voz desse Exu se confunde com uma qualidade de voz aveludada.

Onde incorpora um Exu Veludo, fatalmente incorpora também o Exu dos Rios, possuindo ambos identidade e apresentação quase idênticas Apesar de ser "um veludo" no falar, é uma entidade muito forte.

Protege por demais os seus médiuns, e exige muito deles para a manutenção dessa ligação médium/Exu Veludo.

Este Exu, vem das costas orientais da África, era swahili (negro arabizado).

Usa um turbante na cabeça, e lindos tecidos de veludo trazidos de oriente, que lhe valeram o apelido na Kimbanda de "veludo" .

Dado a sua forma luxuosa de se vestir, no estilo muçulmano, muitos que viram seu tipo de apresentação através da mediunidade, o confundiram com um cigano e o associaram com os mesmos.

Isto não significa que não trabalhe com os ciganos, ao contrário, tem inclusive uma passagem ou caminho que se apresenta como um.

Tem muitos conhecimentos sobre feitiços que se fazem utilizando panos,tigelas, agulhas, pembas e outros ingredientes.

Abre os caminhos e limpa trabalhos negativos feitos nos cemitérios.

Gosta de um bom whisky e grossos charutos.

Alguns de seus caminhos são:

Exu Veludo da Meia Noite
Exu Veludo Cigano
Exu Veludo 7 Encruzilhadas
Exu Veludo Menino (Veludinho)
Exu Veludo dos 7 Cruzeiros
Exu Veludo das Almas
Exu Veludo dos Infernos
Exu Veludo da Kalunga
Exu Veludo da Praia
Exu Veludo do Oriente
Exu Veludo Sigatana
Exu Veludo do Lixo

Laroiê !!!

Um Ponto

Exu Veludo
• Exu veludo seu cabrito deu um berro
• Arrebentou Cerca de arame, estourou portão de ferro
• Comigo ninguém pode
• Mas eu posso com tudo
• Na minha encruzilhada
• Eu me chamo Exu Veludo


Nossos Queridos e Adorados Exus - Algumas Características


Hábitat: Encruzilhadas de Terra, Cemitério, Ambientes da Natureza
Imantação: Existem diversas, porém a mais comum é o Padé ou Ebó
completo, normalmente à base de farinha de mandioca misturada ao
Azeite de Dendê.
Libação: Aguardente, Rum, Wisque, Graspa.
Flores: Cravos diversos.
Sincretismo: Ñ há.
Banhos: Canela (exus de encuzilhada)
Cedro (exus de Calunga)
Atuação: Ajuda material.
Vibração: Proteção, guarda

Aroma Principal:Canela (exus de encruzilhada)
Cedro (exus de Calunga)
Metais: Ferro, aço (Exus das encruzilhadas);
Mercúrio ( Exus da Calunga)
Pedras: Ágata ( Exus das Encruzilhadas)
Ônix ( Exus da Calunga)
Aroma Principal:Canela (exus de encruzilhada)
Cedro (exus de Calunga)
Parte do Corpo Afetada pela Vibração: Pés e Mãos.




Homenagem ao Exu Veludo
(Representando todos os Exus de Umbanda)

Meu amigo, meu enigma, minha curiosidade!
Por vezes estamos num diálogo amistoso de verdadeiras descobertas;
entretanto, um de nós é perdedor - eu.
Cavaleiro imperioso e requintado, te apresentas aos meus olhos,
alegre, forte, másculo, com sorriso franco, sarcástico e, por vezes,
com uma irônica maldade, rápida e sagaz.
Desvendas as misteriosas cortinas do mundo; és atuante em todas as
situações. Tiraz de mim a inércia, o desânimo, e fazes com que eu
veja o mundo, aqui deste lado da Terra, bem melhor.
Na presença de tua vibração, escuto as melodias tangerem até mesmo as
cordas do meu coração; dás-me a energia para a luta e envolves-me em
tua capa contra os perigosos inimigos. Com teu sabre, agilmente
cortas os empecílhos; com tua sabedoria, ceifas minha ingenuidade.
Saravá, Exu Veludo!

Espero ter ajudado a esclarecer quem é Exu Veludo.

Nzaze-Loango.



Corresponde ao orixá Xangô.

XANGÔ ("aquele que se destaca pela força e revela seus segredos")

Talvez estejamos diante do orixá mais cultuado e respeitado no Brasil. Isso porque foi ele o primeiro deus iorubano, por assim dizer, que pisou em terras brasileiras. É portanto, o principal tronco dos candomblés do Brasil.
No aspecto histórico xangô teria sido o terceiro Aláàfin Òyó, filho de Oranian e Torosi; no seu aspecto divino, permanece filho de Oranian, divinizado, porém tendo Yamase como mãe e três divindades como esposas: Oiá, Oxum e Obá..

Xangô é o rei das pedreiras, senhor dos raios e do trovão, pai da justiça e o orixá que gera o poder da política. Guerreiro, bravo e conquistador, Xangô também é conhecido como o orixá mais vaidoso entre os deuses masculinos africanos. É monarca por natureza e chamado pelo termo Obá, que significa rei. E é o orixá que reina em Oyó, na Nigéria, antiga capital política daquele país.

Xangô é a ideologia, a decisão, a vontade, a iniciativa. É a rigidez, organização, o trabalho, a discussão pela melhora, o progresso social e cultural, a voz do povo, o levante, a vontade de vencer. Também o sentido de realeza, a atitude imperial, monárquica. É o espírito nobre das pessoas, o chamado "sangue azul", o poder de liderança.

Para Xangô, a justiça está acima de tudo e, sem ela, nenhuma conquista vale a pena; o respeito pelo rei é mais importante que o medo.

Este, que apesar de grande guerreiro, justo e conquistador, detesta doenças, a morte e aquilo que já morreu. Xangô é avesso a eguns (espíritos desencarnados) . Admite-se até que ele é uma espécie de imã de eguns, daí sua aversão a eles.

Xangô costuma entregar a cabeça de seus filhos a Obaluaiê e Omulu sete meses antes da morte destes, tal o grau de aversão que tem por doenças e coisas mortas.

24 de jun. de 2009

Iansã...

eanrmv@yahoo.com.br

Iansã é um Orixá feminino muito famoso no Brasil, sendo figura das mais populares entre os mitos da Umbanda e do Candomblé em nossa terra e também na África, onde é predominantemente cultuada sob o nome de Oiá. É um dos Orixás do Candomblé que mais penetrou no sincretismo da Umbanda, talvez por ser o único que se relaciona, na liturgia mais tradicional africana, com os espíritos dos mortos (Eguns), que têm participação ativa na Umbanda, enquanto são afastados e pouco cultuados no Candomblé. Em termos de sincretismo, costuma ser associada à figura católica de Santa Bárbara. Iansã costuma ser saudada após os trovões, não pelo raio em si (propriedade de Xangô ao qual ela costuma ter acesso), mas principalmente porque Iansã é uma das mais apaixonadas amantes de Xangô, e o senhor da justiça não atingiria quem se lembrasse do nome da amada. Ao mesmo tempo, ela é a senhora do vento e, conseqüentemente, da tempestade.
Nas cerimônias da Umbanda e do Candomblé, Iansã, ela surge quando incorporada a seus filhos, como autêntica guerreira, brandindo sua espada, e ao mesmo tempo feliz. Ela sabe amar, e gosta de mostrar seu amor e sua alegria contagiantes da mesma forma desmedida com que exterioriza sua cólera.
Como a maior parte dos Orixás femininos cultuados inicialmente pelos iorubás, é a divindade de um rio conhecido internacionalmente como rio Níger, ou Oiá, pelos africanos, isso, porém, não deve ser confundido com um domínio sobre a água.


A figura de Iansã sempre guarda boa distância das outras personagens femininas centrais do panteão mitológico africano, se aproxima mais dos terrenos consagrados tradicionalmente ao homem, pois está presente tanto nos campos de batalha, onde se resolvem as grandes lutas, como nos caminhos cheios de risco e de aventura – enfim, está sempre longe do lar; Iansã não gosta dos afazeres domésticos.
É extremamente sensual, apaixona-se com freqüência e a multiplicidade de parceiros é uma constante na sua ação, raramente ao mesmo tempo, já que Iansã costuma ser íntegra em suas paixões; assim nada nela é medíocre, regular, discreto, suas zangas são terríveis, seus arrependimentos dramáticos, seus triunfos são decisivos em qualquer tema, e não quer saber de mais nada, não sendo dada a picuinhas, pequenas traições. É o Orixá do arrebatamento, da paixão.
Foi esposa de Ogum e, posteriormente, a mais importante esposa de Xangô. é irrequieta, autoritária, mas sensual, de temperamento muito forte, dominador e impetuoso. É dona dos movimentos (movimenta todos os Orixás), em algumas casas é também dona do teto da casa, do Ilê.
Iansã é a Senhora dos Eguns (espíritos dos mortos), os quais controla com um rabo de cavalo chamado Eruexim – seu instrumento litúrgico durante as festas, uma chibata feita de rabo de um cavalo atado a um cabo de osso, madeira ou metal.
É ela que servirá de guia, ao lado de Obaluaiê, para aquele espírito que se desprendeu do corpo. É ela que indicará o caminho a ser percorrido por aquela alma. Comanda também a falange dos Boiadeiros.


IANSÃ, A DEUSA DOS VENTOS...

Senhora da Tarde, Dona dos Espíritos. Senhora dos Raios e das Tempestades. Oyá, mais conhecida no Brasil como Yansã, foi uma princesa real na cidade de Irá, na Nigéria em 1450a.C.. Sobrinha-neta do rei Elempe e neta de Torossi(mãe de Xangô), conquistou com valentia, coragem e dedicação seu caminho para o trono de Oyó. Conhecedora de todos os meandros da magia encantada, nunca se deixou abater por guerras, problemas e disputas.
Foi mulher de seu primo Xangô e ajudou-o a conquistar vários reinos anexados ao Império Yorubano. Porém, abandonou-o em defesa de sua cidade natal, disposta a enfrentá-lo.
Oyá é a menina dos olhos de Oxalá, seu protetor, e a única divindade que entra no Ibalé dos Eguns(mortos). Na Bahia é sincretizada com Santa Bárbara.
Divindade ctoniana, Iansã tem ligações com o mundo subterrâneo, onde habitam os mortos, sendo o único orixá capaz de enfrentar os eguns. Entre as dezessete individuações da multifária Iansã, uma delas é como Deusa dos Cemitérios.

Além do contato com os mortos, Iansã também favorece a fecundidade, atributo inerente aos deuses ctonianos. Deusa das tempestades, contribui para a fertilidade do solo. Divindade eólica, sopram os ventos que afastam as nuvens, para a passagem dos raios desferidos por Xangô. E é o raio que abre os reservatórios do céu, para fazer cair a chuva, relação comum em todas as mitologias.

Nossa amada mãe Iansã possui vinte e uma Iansãs intermediárias, que são assim distribuídas:

Sete atuam junto aos pólos magnéticos irradiantes e auxiliam os orixás regentes dos pólos positivos, onde entram como aplicadoras da Lei segundo os princípios da Justiça Divina, recorrendo aos aspectos positivos da Orixá planetária Iansã.

Sete atuam junto aos pólos magnéticos absorventes e auxiliam os orixás regentes dos pólos negativos, onde entram como aplicadoras da Lei segundo seus princípios, recorrendo aos aspectos negativos da orixá planetária Iansã.

Sete atuam nas faixas neutras das dimensões planetárias, onde, regidas pelos princípios da Lei, ou direcionam os seres para as faixas vibratórias positivas ou os direcionam para as faixas negativas.

Enfim, são vinte e uma orixás lansãs intermediárias aplicadoras da Lei nas Sete Linhas de Umbanda.

Como seus campos preferenciais de atuação são os religiosos, não é de se estranhar que nossa amada mãe Iansã intermediária para a linha da Fé nos campos do Tempo seja confundida com a própria OYá, já que é ela quem envia ao tempo os eguns fora-da-Lei no campo da religiosidade.

Iansã do Tempo, não tenham dúvidas, tem um vasto campo de ação e colhe os espíritos desvirtuados nas coisas da Fé, enviando-os ao Tempo onde serão esgotados. Mas, não tenham dúvidas, antes ela tenta reequilibrá-los e redirecioná-los, só optando por enviá-los a um campo onde o magnetismo os esvazia quando vê que um esgotamento total em todos os sete sentidos é necessário. E isto o Tempo faz muito bem!

Já Iansã Bale, do Bale, ou das Almas, é outra intermediária de nossa mãe maior lansã que é muito solicitada e muito conhecida, porque atua preferencialmente sobre os espíritos que desvirtuam os princípios da Lei que dão sustentação à vida e, como vida é geração e Omulu atua no pólo negativo da linha da Geração, então ela envia aos domínios de Tatá Omulu todos os espíritos que atentaram contra a vida de seus semelhantes ao desvirtuarem os princípios da Lei e da Justiça Divina.

Logo, seu campo escuro localiza-se nos domínios do orixá Omulu, que rege sobre o lado de "baixo" do campo santo.


Mas também são muito conhecidas as lansãs intermediárias Sete Pedreiras, dos Raios, do Mar, das Cachoeiras e dos Ventos (Iansã pura). As outras assumem os nomes dos elementos que lhes chegam através das irradiações inclinadas dos outros orixás, quando surgem as Iansãs irradiantes e multicoloridas. Temos:

1 Iansã do Ar.
1 Iansã Cristalina.
1 Iansã Mineral.
1 Iansã Vegetal.
1 Iansã Ígnea.
1 Iansã Telúrica.
1 Iansã Aquática.

AS FILHAS DE IANSÃ...

Iansã é uma Deusa ligada à manifestação do feminino na fase crescente, trazendo em si a qualidade do movimento. Une passado com o futuro, o lado sombrio da Lua com o lado iluminado, que anuncia um novo começo. Iansã está ligada com o número 9, que é o movimento puro.
As filhas de Iansã são mulheres audaciosas, poderosas, autoritárias e dinâmicas. Estão sempre procurando algo para se ocupar, são cheias de iniciativa e determinação. São mulheres que nunca passam despercebidas, pois são combativas, teimosas e temperamentais, mas também podem ser doces e meigas, quando possuem interesse em seduzir algum homem.
A mulher-Iansã é o tipo de mulher que está mais voltada para o amor sensual do que para o amor maternal. Ama os filhos, mas consegue maior expressão quando se sente admirada e desejada por um homem, o que geralmente provoca o ciúme e a inveja das outras mulheres.

É também uma mulher que está ligada ao passado, ao coletivo, pela origem comum da necessidade fertilizadora do feminino e está ligada ao futuro pela necessidade de diferenciação, que a tirará do coletivo e a jogará sempre para frente, para o novo. É inconformada e inquieta, está voltada para o impulso de empreender coisas, de realizar seu poder criativo. A atualização dessa força criadora dependerá da forma como ela direcionar esta energia, que muitas vezes pode ser desviada para outros fins, ou ser esvaziada.
O perigo é permitir que as barreiras sociais a entravem, desviando a energia criativa para a neurose.E, a neurose é parada de movimento. Todo aquele que se recusa a viver o futuro, apegando-se ao passado, estagna.
A mulher que sente impulso para criar, para dar significado ao seu mundo, precisa ser fiel aos seus conteúdos internos, à Deusa dentro de si. O ato criativo é o processo de se arriscar, de se jogar no desconhecido, de mergulho nas fontes fertilizadoras, da viagem interna em busca da essência das coisas. O desejo de criar move o contato com o informe pela necessidade de dar forma, de arrancar da terra coisas vitais para alimentar a consciência

A LENDA...

Ogum foi caçar na floresta, como fazia todos os dias. De repente, um búfalo veio em sua direção rápido como um relâmpago; notando algo de diferente no animal, Ogum tratou de segui-lo. O búfalo parou em cima de um formigueiro, baixou a cabeça e despiu sua pele, transformando-se numa linda mulher. Era Iansã, coberta por belos panos coloridos e braceletes de cobre.
Iansã fez da pele uma trouxa, colocou os chifres dentro e escondeu-a no formigueiro, partindo em direção ao mercado, sem perceber que Ogum tinha visto tudo. Assim que ela se foi, Ogum se apoderou da trouxa, guardando-a em seu celeiro. Depois foi a cidade, e passou a seguir a mulher ate que criou coragem e começou a cortejá-la. Mas como toda mulher bonita, ela recusou a corte.

Quando anoiteceu ela voltou à floresta e, para sua surpresa, não encontrou a trouxa. Tornou à cidade e encontrou Ogum, que lhe disse estar com ele o que procurava. Em troca de seu segredo ( pois ele sabia que ela não era uma mulher e sim animal ), Iansã foi obrigada a se casar com ele; apesar disso, conseguiu estabelecer certas regras de conduta, dentre as quais proibi-lo de comentar o assunto com qualquer pessoa.
Chegando em casa, Ogum explicou suas outras esposas que Iansã iria morar com ele e que em hipótese alguma deveriam insultá-la. Tudo corria bem; enquanto Ogum saía para trabalhar, Iansã passava o dia procurando sua trouxa.


Desse casamento nasceram nove crianças, o que despertou ciúmes das outras esposas, que eram estéreis. Uma delas, para vingar-se, conseguiu embriagar Ogum e ele acabou relatando o mistério que envolvia Iansã. Depois que Ogum dormiu as mulheres foram insulta-las, dizendo que ela era um animal e revelando que sua trouxa estava escondida no celeiro.
Iansã encontrou então sua pele e seus chifres. Assumiu a forma de búfalo e partiu para cima de todos, poupando apenas seus filhos. Decidiu voltar para a floresta, mas não permitiu que os filhos a acompanhassem, porque era um lugar perigoso. Deixou com eles seus chifres e orientou-os para, em caso de perigo bater as duas pontas; com esse sinal ela iria socorrê-los imediatamente. E por esse motivo que os chifres estão presentes nos assentamentos de Iansã.
Suas cores: vermelho, branco e coral
Saudação : Eparrei!
Seu dia : Quarta-feira
Comida predileta: acarajé, milho temperado com camarão e azeite de dendê.
Animais de sacrifício: o carneiro, o pato e a galinha.
Frutas: manga rosa, uvas, pêra, maçã morango, melão laranja, banana, figo, ameixas, romã, grosselha, pêssego, pitanga, framboesa e cajá.
Onde recebe oferendas: nas cachoeiras.
Plantas: sensitiva, espada de Iansã (borda amarela), bambu, periquitinho.
Bebida: champanha.
Elemento: fogo,
O que faz: dá coragem e impulsividade; protege contra desastres e acidentes.
Festa: 4 de dezembro, dia de Santa Bárbara, com quem está identificada.
Pedras: rubi, coral, granada.
Perfumes: verbena, drástico vermelho, violeta, madeira, Shoking de Skiaparelli.

CANTO...
Oi, Iansã, menina dos cabelos loiros
Onde é a sua morada?
É na mina de ouro
Minha Santa Bárbara
Virgem da Coroa
Pelo amor de Deus, Santa Bárbara,
Não me deixe à toa
Minha Santa Bárbara
Virgem da Coroa
A Coroa é dela Xangô
É da pedra de ouro
Iansã tem um leque de penas
Pra abanar em dia de calor
Iansã tem um leque de penas
Pra abanar em dia de calor
Iansã mora nas pedreiras
Eu quero ver meu pai Xangô
Iansã mora nas pedreiras
Eu quero ver meu pai Xangô
Santa guerreira que ao meu lado caminha
Com sua espada de ouro e sua taça na mão
És para mim toda beleza, venero sua beleza
Guardo-a em meu coração, quando ela roda
Sua saia irradia, Deusa da Ventania
É a Rainha Trovão com meu Pai Xangô
Iansã fez a morada, ela roda ua saia
No romper da madrugada
Eparrei Ioiá
Saravá Iansã, ela é Rainha, é Orixá

(Texto pesquisado e desenvolvido por
ROSANE VOLPATTO)
(Recebi por e-mail)

Kavungo...



"O que não deixar de ser como é, não me interessa"
DEFINIÇÃO:
Deus da terra e das doenças, todavia Kavungo também possui o poder da cura, é cauteloso e discreto. As vezes é convencional e metódico. Adepto da filosofia de que cada um deve fazer a sua parte, se impacienta com a acomodação. Afinal, transformar é preciso.
Se verdadeiramente contrariado, chega a ser vingativo sem ser inconseqüente.
A maior cerimônia consagrada a Kavungo é talvez a mais famosa do candomblé. A Kukuana é um banquete anual oferecido a Kavungo e a todos os Jinkisi, geralmente realizada no mês de agosto.
KIZILAS (IJILA)
Seus filhos devem evitar, abacaxi, verniz, peixe de pele, carne de porco e caranguejo.
CARACTERÍSTICAS
Deus da peste epidêmica
Saudação: Kavungo mateba kukala kuíza (O pai da ráfia está chegando, eu te saúdo)
Elemento: Terra
Símbolo: Xaxará (feixe de palha e búzios)
Mineral: Chumbo
Dia da semana: Segunda-feira
Fio de contas: Preto e vermelho e branco ou branco e preto
Roupa: Vermelha e preta ou preta e branca, coberta de palha
Oferendas: Pipoca, feijão preto com muito dendê
RELACIONAMENTOS
Os filhos homens de Kavungo tem compatibilidade com pessoas de Kabila, Mikaia, Nkasute Lemba, Nzumba, Matamba e Lemba dia Nganga.
Já as filhas de Kavungo tem compatibilidade com pessoas de Kabila, Lemba dia Nganga, Hoxi, Mavambu, Nkasute Lemba e Mikaia.

9 de jun. de 2009

Iemanjá...



Iemanjá é a rainha dos oceanos e a mãe de todos os orixás. Protege os pescadores e garante a eles um retorno seguro para sua praia. Ela é calma e materna. Na noite de ano novo, 31 de dezembro, no Rio de janeiro, seus devotos pedem sua benção com presentes e flores brancas na sua orla. Ela dança imitando as ondas dos oceanos. As cores de Iemanjá são o branco translucente, azul e verde e sua saudação é “Odê Iyé”.

Yemoja na África :

Iemanjá, cujo nome deriva de Yèyé omo ejá ("Mãe cujos filhos são peixes"), é o orixá dos Egbá, uma nação iorubá estabelecida outrora na região entre Ifé e Ibadan, onde existe ainda o rio Yemoja. As guerras entre nações iorubás levaram os Egbá a emigrar na direção oeste, para Abeokutá, no início do século XIX. Evidentemente, não lhes foi possível levar o rio, mas, em contrapartida, transportaram consigo os objetos sagrados, suportes do àse da divindade, e o rio Ògùn, que atravessa a região, tornou-se, a partir de então, a nova morada de Yemanjá. Este rio Ògùn não deve, entretanto, ser confundido com Ògún, o deus do ferro e dos ferreiros, contrariamente à opinião de numerosos que escreveram sobre o assunto no fim do século passado. Não nos deteremos nas extravagantes hipóteses do Padre Baudin, retomadas com entusiasmo pelo Tenente-Coronel Ellis e outros autores. Daremos, porém, em notas um resumo destes textos.
O principal templo de Iemanjá está localizado em Ibará, um bairro de Abeukutá. Os fiéis desta divindade vão todos os anos buscar a água sagrada para lavar os axés, não no rio Ògùn, mas numa fonte de um dos seus afluentes, o rio Lakaxa. Essa água é recolhida em jarras, transportada numa procissão seguida por pessoas que carregam esculturas de madeira(ère) e um conjunto de tambores. O cortejo na volta, vai saudar as pessoas importantes do bairro, começando por Olúbàrà, o rei de Ibará.
Iemanjá seria filha de Olóòkun, deus (em Benin) ou deusa (em Ifé) do mar. Numa história de Ifá, ela aparece "casada pela primeira vez comOrunmilá, senhor das adivinhações, depois com Olofin, rei de Ifé,...Iemanjá, cansada de sua permanência em Ifé, foge mais tarde em direção ao Oeste. Outrora, Olóòkun lhe havia dado, por medida de precaução, uma garrafa contendo um preparado, pois "não se sabe jamais o que pode acontecer amanhã", com a recomendação de quabrá-la no chão em caso de extremo perigo. E assim, Iemanjá foi instalar-se no "Entardecer-da-Terra", o Oeste. Olofin-Odùduà, rei de Ifé, lançou seu exército à procura de sua mulher. Cercada, Iemanjá, em vez de se deixar prender e ser conduzida de volta a Ifé, quebrou a garrafa, segundo as instruções recebidas. Um rio criou-se na mesma hora, levando-a para Okun, o oceano, lugar de residência de Olóòkun (Olokum).
Iemanjá tem diversos nomes, relativos, como no caso de Oxum, aos diferentes lugares profundos(ibù) do rio. Ela é representada nas imagens com o aspecto de uma matrona, de seios volumosos, símbolo de maternidade fecunda e nutritiva. Esta particularidade de possuir seios mais que majestosos - ou somente um deles, segundo outra lenda - foi origem de desentendimentos com seu marido, embora ela já o houvesse honestamente prevenido antes do casamento que não toleraria a mínima alusão desagradável ou irônica a esse respeito. Tudo ia muito bem e o casal vivia feliz. Uma noite, porém, o marido havia se embriagado com vinho de palma e, não mais podendo controlar as suas palavras, fez comentários sobre seu seio volumoso. Tomada de cólera, Iemanjá bateu com o pé no chão e transformou-se num rio a fim de voltar para Olóòdun, como na lenda precedente.

(Do livro "Orixás - Pierre Fatumbi Verger - Editora Corrupio")


Iemanjá no Novo Mundo...

Iemanjá é uma divindade muito popular no Brasil e em Cuba. Seu axé é assentado sobre pedras marinhas e conchas, guardadas numa porcelana azul. O sábado é o dia da semana que lhe é consagrado, juntamente com outras divindades femininas. Seus adeptos usam colares de contas de vidro transparentes e vestem-se, de preferência, de azul-claro. Fazem-se oferendas de carneiro, pato e pratos preparados à base de milho branco, azeite, sal e cebola.
Diz-se na Bahia que há sete Iemanjás:
Iemowô, que na África é a mulher de Oxalá;
Iamassê, mãe de Xangô;
Euá (Yewa), rio que na África corre paralelo ao rio Ògùn e que frequentemente é confundido com Iemanjá em certas lendas;
Olossá, a lagoa africana na qual deságuam os rios.
Iemanjá Ogunté, casada com Ogum Alagbedé.
Iemanjá Assabá, ela é manca e está sempre fiando algodão.
Iemanjá Assessu, muito voluntariosa e respeitável.
Em Cuba, Lydia Cabrera dá sete nomes igualmente, especificando bem que apenas uma Iemanjá existe, à qual se chega por sete caminhos. Seu nome indica o lugar onde ela se encontra.

(Do livro "Orixás - Pierre Fatumbi Verger - Editora Corrupio")


DIA DOIS DE FEVEREIRO É DIA DE IEMANJÁ:

Comparada com as outras divindades do panteão africano, o Orixá feminino ioruba Iemanjá é uma figura extremamente simples. Ela é uma das figuras mais conhecidas nos cultos brasileiros, com o nome sempre bem divulgado pela imprensa, pois suas festas anuais sempre movimentam um grande número de iniciados e simpatizantes, tanto da Umbanda como do Candomblé.
Pelo sincretismo, porém, muita água rolou. Os jesuítas portugueses, tentando forçar a aculturação dos africanos e a aceitação, por parte deles, dos rituais e mitos católicos, procuraram fazer casamentos entre santos cristãos e Orixás africanos, buscando pontos em comum nos mitos.
Para Iemanjá foi reservado o lugar de Nossa Senhora, sendo, então, artificialmente mais importante que as outras divindades femininas, o que foi assimilado em arte por muitos ramos da Umbanda.
Mesmo assim, não se nega o fato de sua popularidade ser imensa, não só por tudo isso, mas pelo caráter, de tolerância, aceitação e carinho.É uma das rainhas das águas, sendo as duas salgadas: as águas provocadas pelo choro da mãe que sofre pela vida de seus filhos, que os vê se afastarem de seu abrigo, tomando rumos independentes; e o mar, sua morada, local onde costuma receber os presentes e oferendas dos devotos.
São extremamente concorridas suas festas. É tradicional no Rio de Janeiro, em Santos (litoral de São Paulo) e nas praias de Porto Alegre a oferta ao mar de presentes a este Orixá, atirados à morada da deusa, tanto na data específica de suas festas, como na passagem do ano. São comuns no reveillon as tendas de Umbanda na praia, onde acontecem rituais e iniciados incorporam caboclos e pretos-velhos, atendendo a qualquer pessoa que se interesse.
Na África, a origem de Iemanjá também é um rio que vai desembocar no mar. De tanto chorar com o rompimento com seu filho Oxóssi, que a abandonou e foi viver escondido na mata junto com o irmão renegado Oçãnhim (Oçanhe). Iemanjá se derreteu, transformando-se num rio que foi desembocar no mar. É a mãe de quase todos os Orixás de origem ioruba (com exceção de Logunnedê), enquanto a maternidade dos Orixás Daomeanos é atribuída a Nanã.
É portanto semelhante às outras mães da água, o que é compreensível, já que as diferentes tribos e nações acabaram por desenvolver o culto a um Orixá feminino específico, que relacionavam com um rio da região. No caso de Iemanjá, as lendas africanas já a identificavam com o mar, como podemos perceber pela narrativa recolhida por Pierre Verger:
Iemanjá seria a filha de Olokum, deus (no Daomé, atual Benin) ou deusa (em Ifé) do mar. Em uma história de Ifé ela aparece casada pela primeira vez com Orunmilá, senhor das adivinhações, depois com Olofin, rei do Ifé, com o qual teve supostamente dez (10) filhos. Iemanjá, cansada de sua permanência em Ifé, foge mais tarde em direção ao oeste. Outrora, Olokum lhe havia dado, por medida de precaução, uma garrafa contendo um preparado (...) com a recomendação de quebrá-la no chão em caso de extremo perigo. E assim Iemanjá foi instalar-se no Entardecer da Terra, o Oeste.
A lenda diz que Olofin, rei de Ifé, lançou o exercito à sua procura, o que fez Iemanjá, no esconderijo, quebrar a garrafa. Teria, então, na mesma hora, se formado um rio que a tragou, levando-a para Okum, o oceano - morada de seu pai Olokum.
Apesar dos preceitos tradicionais relacionarem tanto Oxum como Iemanjá à função da maternidade, pôde estabelecer-se uma boa distinção entre esse conceitos. As duas Orixás não rivalizam (Iemanjá praticamente não rivaliza com ninguém, enquanto Oxum é famosa por suas pendências amorosas que a colocaram contra Iansã e Oba). Cada uma domina a maternidade num momento diferente.

ARQUÉTIPO:

As filhas de Iemanjá são voluntariosas, fortes, rigorosas, protetoras, altivas e, algumas vezes, impetuosas e arrogantes; têm o sentido da hierarquia, fazem-se respeitar e são justas mas formais; põem à prova as amizades que lhes são devotadas, custam muito a perdoar uma ofensa e, se a perdoam, não a esquecem jamais. Preocupam-se com os outros, são maternais e sérias. Sem possuírem a vaidade de Oxum, gostam do luxo, das fazendas azuis e vistosas, das jóias caras. Elas têm tendência à vida suntuosa, mesmo se as possibilidades do cotidiano não lhes permitem um tal fausto."

(Lydia Cabrera, filha de Iemanjá)


CARACTERÍSTICAS DOS FILHOS DE IEMANJÁ:

No arquétipo psicológico, expandem-se as características insinuadas pela descrição dos mitos e lendas de Iemanjá. Também fica fácil entender os conceitos principais se mantivermos a comparação com o Orixá Oxum. Como os filhos da mãe da água doce, os de Iemanjá, também gostam de luxo, das jóias caras e dos tecidos vistosos. Gostam de viver num ambiente confortável e, mesmo quando pobres, pode-se notar uma certa sofisticação em suas casas, se comparadas com as demais da comunidade de que fazem parte.
Enquanto os filhos de Oxum são diplomatas e sinuosos, os de Iemanjá se mostram mais diretos. São capazes de fazer chantagens emocionais, mas nunca diabólicas. A força e a determinação fazem parte de seus caracteres básicos, assim como o sentido da amizade e do companheirismo.
Como são pessoas presas ao arquétipo da mãe, a família e os filhos têm grande importância na vida dos filhos de Iemanjá. A relação com eles pode ser carinhosa, mas nunca esquecendo conceitos tradicionais como respeito e principalmente hierarquia.
São pessoas que não gostam de viver sozinhas, sentem falta da tribo, inconsciente ancestral, e costumam, por isso casar ou associar-se cedo. Não apreciam as viagens, detestam os hotéis, preferindo casas onde rapidamente possam repetir os mecanismos e os quase ritos que fazem do cotidiano.
Apesar do gosto pelo luxo, não são pessoas obcecadas pela própria carreira, sem grandes planos para atividades a longo prazo, a não ser quando se trata do futuro de filhos e entes próximos.
Todos esses dados nos apresentam uma figura um pouco rígida, refratária a mudanças, apreciadora do cotidiano. Ao mesmo tempo, indicam alguém doce, carinhoso, sentimentalmente envolvente e com grande capacidade de empatia com os problemas e sentimentos dos outros. Mas nem tudo são qualidades em Iemanjá, como em nenhum Orixá. Seu caráter pode levar o filho desse Orixá a ter uma tendência a tentar concertar a vida dos que o cercam - o destino de todos estariam sob sua responsabilidade. Os filhos de Iemanjá demoram muito para confiar em alguém, bons conhecedores que são da natureza humana. Quando finalmente passam a aceitar uma pessoa no seu verdadeiro e íntimo círculo de amigos, porém, deixam de ter restrições, aceitando-a completamente e defendendo-a, seja nos erros como nos acertos, tendo grande capacidade de perdoar as pequenas falhas humanas.
Um filho de Iemanjá pode tornar-se rancoroso, remoendo questões antigas por anos e anos sem esquecê-las jamais.

LENDAS:

Iemanjá joga búzios na ausência de Orunmilá

Iemanjá e Orunmilá eram casados.
Orunmilá era um grande adivinho.
Com seus dotes sabia interpretar os segredos dos búzios.
Certa vez Orunmilá viajou e demorou para voltar e Iemanjá viu-se sem dinheiro em casa.
Então, usando o oráculo do marido ausente,
Passou a atender uma grande clientela e fez muito dinheiro.
No caminho de volta para casa, Orunmilá ficou sabendo que havia em sua aldeia
uma mulher de grande sabedoria e poder de cura, que com a perfeição de um babalaô jogava búzios.
Ficou desconfiado.
Quando voltou, não se apresentou a Iemanjá, preferindo vigiar, escondido, o movimento em sua casa.
Não demorou a constatar que era mesmo a sua mulher a autora daqueles feitos.
Orunmilá repreendeu duramente Iemanjá.
Iemanjá disse que fez aquilo para não morrer de fome.
Mas o marido contrariado a levou perante Olofim-Olodumare.
Olofim reiterou que Orunmilá era e continuaria sendo o único dono do jogo oracular que permite a leitura do destino.
Ele era o legítimo conhecedor pleno das histórias que forma a ciência dos dezesseis odus.
Só o sábio Orunmilá pode ler a complexidade e as minúcias do destino.
Mas reconheceu que Iemanjá tinha um pendor para aquela arte, pois em pouco tempo angariara grande freguesia.
Deu a ela então autoridade para interpretar as situações mais simples, que não envolvessem o saber completo dos dezesseis odus.
Assim as mulheres ganharam uma atribuição antes totalmente masculina.

(Mitologia dos Orixás,2001,pp.388)


(1)
Quando obatalá e odudua se casaram, tiveram dois filhos: iemanjá ( o mar ) e aganju ( a terra ). Os irmãos se casaram e tiveram um filho, orungã ( o ar ). Quando cresceu, orungã se apaixonou pela mãe. Um dia, aproveitando a ausência do pai, tentou violentá-la. Iemanjá conseguiu escapar e fugiu pelos campos. Quando orungã já a alcançava, ela caiu ao chão e morreu. Então seu corpo começou a crescer até que seus seios se romperam e deles saíram dois grandes rios, que formaram os mares; e do ventre saíram os orixás que governam as 16 direções do mundo: exu, ogum, xangô, iansã, ossain, oxossi, obá, oxum, dadá, olocum, oloxá, okô, okê, ajê xalugá, orum e oxu.

(2)
Iemanjá teve muitos problemas com os filhos. Ossain, o mago, saiu de casa muito jovem e foi viver na mata virgem estudando as plantas. Contra os conselhos da mãe, oxossi bebeu uma poção dada por ossain e, enfeitiçado, foi viver com ele no mato. Passado o efeito da poção, ele voltou para casa mas iemanjá, irritada, expulsou-o. Então ogum a censurou por tratar mal o irmão. Desesperada por estar em conflito com os três filhos, iemanjá chorou tanto que se derreteu e formou um rio que correu para o mar.

(3)
Iemanjá foi casada com okere. Como o marido a maltratava, ela resolveu fugir para a casa do pai olokum. Okere mandou um exército atrás dela mas, quando estava sendo alcançada, iemanjá se transformou num rio para correr mais depressa. Mais adiante, okere a alcançou e pediu que voltasse; como iemanjá não atendeu, ele se transformou numa montanha, barrando sua passagem. Então iemanjá pediu ajuda a xangô; o orixá do fogo juntou muitas nuvens e, com um raio, provocou uma grande chuva, que encheu o rio; com outro raio, partiu a montanha em duas e iemanjá pôde correr para o mar.

(4)
Olodumare fez o mundo e repartiu entre os orisás vários poderes, dando a cada um reino para cuidar.
A Exú deu o poder da comunicação e a posse das encruzilhadas. A Ogum o poder de forjar os utensílios para agricultura e o domínio de todos os caminhos. A Osóssi o poder sobre a caça e a fartura. A Obaluaê o poder de controlar as doenças de pele. Osunarê seria o arco-íris, embelezaria a terra e comandaria a chuva, trazendo sorte aos agricultores. Sango recebeu o poder da justiça e sobre os trovões. Oyá reinaria sobre os mortos e teria poder sobre os raios. Euá controlaria a subida dos mortos para o orum, bem como reinaria sobre os cemitérios. Osun seria a divindade da beleza, da fertilidade das mulheres e de todas as riquezas materiais da terra, bem como teria o poder de reinar sobre os sentimentos de amor e ódio. Nanã recebeu a dádiva, por sua idade avançada, de ser a pura sabedoria dos mais velhos, além de ser o final de todos os mortais; nas profundezas de sua terra, os corpos dos mortos seriam recebidos. Além disso do seu reino sairia a lama da qual Osalá modelaria os mortais, pois Odudua já havia criado o mundo. Todo o processo de criação terminou com o poder de Osogyian que inventou a cultura material.
Para Yemanjá, Olodumare destinou os cuidados da casa de Osalá, assim como a criação dos filhos e de todos os afazeres domésticos.
Yemanjá trabalhava e reclamava de sua condição de menos favorecida, afinal, todos os outros deuses recebiam oferendas e homenagens e ela, vivia como escrava.
Durante muito tempo Yemanjá reclamou dessa condição e tanto falou, nos ouvidos de Osalá, que este enlouqueceu. O ori (cabeça) de Osalá não suportou os reclamos de Yemanjá.
Osalá ficou enfermo, Yemanjá deu-se conta do mal que fizera ao marido e, em poucos dias, utilizando-se de ori (banha vegetal), de omi-tutu (água fresca), de obi (fruta conhecida como nóz-de-cola), eyelé-funfun (pombos brancos) e esò (frutas) deliciosas e doces, curou Osalá.
Osalá agradecido foi a Olodumare pedir para que deixasse a Iemanjá o poder de cuidar de todas as cabeças. Desde então Iemanjá recebe oferendas e é homenageada quando se faz o bori (ritual propiciatório à cabeça) e demais ritos à cabeça.

(5)
Yemanjá seria a filha de Olokum, deus (em Benin e em Lagos) ou deusa (em Ifé) do mar. Foi casada pela primeira vez com Orunmyila, senhor das adivinhações, depois com Olofin-Oduduá, Rei de Ifé, com quem teve dez filhos, que se tornaram Orisás.
De tanto amamentar seus filhos, seus seios ficaram enormes. Esta foi a origem dos desentendimentos com o marido. Embora ela já o houvesse prevenido, dizendo-lhe que jamais toleraria que ele ridicularizasse os seus seios, uma noite o marido, que havia se embriagado com vinho de palma, não mais podendo controlar suas palavras, fez comentários sobre seus seios volumosos.
Tomada de cólera, Yemanjá fugiu em direção ao oeste, o "escurecer da terra". Olokun lhe havia dado outrora, por medida de precaução, uma garrafa contendo um preparado, pois "não-se-sabe-jamais-o-que-pode-acontecer-amanhã". E assim Yemanjá foi instalar-se à oeste de Abeokutá, alusão à migração dos Egbás.
Olofin-Oduduá lançou seu exército à procura de Yemanjá. Esta, cercada, em vez de se deixar prender e ser conduzida de volta a Ifé, quebrou a garrafa, segundo as instruções recebidas. Um rio criou-se na mesma hora, levando-a para Okun, o mar, lugar de residência de Olokun.

ERVAS:

Alcaparreira – Galeata: Muito usada nos terreiros do Rio Grande do Sul. Entra nas mais variadas obrigações do ritual, sendo utilizadas para isso folhas e cascas. Também é muito prestigiada nos abô de preparação dos filhos, para obrigação de cabeça e nos banhos de limpeza. As cascas e raízes popularmente vem sendo usadas como diuréticos. Seus frutos são comestíveis e deles é preparada uma geléia eficaz contra picadas de cobras e insetos venenoso.
Altéia – Malvarisco: Muito empregada nos banhos de descarrego e na purificação das pedras dos orixás Nanã, Oxum, Oxumarê, Yasãn e Yemanjá. Muito prestigiada nos bochechos e gargarejos, nas inflamações da boca e garganta.
Aracá-da-praia: Planta arbórea pertencente a Yemanjá e a Oxossi. É empregada nas obrigações de cabeça, nos abô e nos banhos de purificação dos filhos dos orixá a que pertence. No uso popular cura hemorragias, usando-se o cozimento. Do mesmo modo também é utilizado para fazer lavagens genitais.
Araticum-de-areia – Malolô: Liturgicamente, os bantus a usam nos banhos de descarrego, sem mistura de outra erva. A medicina caseira indica a polpa dos frutos para resolver tumores e o cozimento das folhas no tratamento do reumatismo.
Coco-de-iri: Sua aplicação se restringe aos banhos de descarrego, empregando-se as folhas. A medicina caseira indica as suas raízes cozidas para por fim aos males do aparelho genital feminino. É usado em banhos semicúpios e lavagens.
Erva de Santa Luzia: Muito usada nas obrigações de cabeça, obori, lavagem de contas, feitura de santo e tiragem de zumbi. De igual maneira, também se emprega nos abô, banhos de descarrego ou limpeza dos filhos dos orixás. A medicina popular a consagrou como um grande remédio, por ser de grande eficácia contra o vício da bebida. O cozimento de suas folhas é empregado contra doenças dos olhos e para desenvolver a vidência.
Fruta-da-Condessa: Tem aplicação nas obrigações de cabeça, nos banhos de descarrego e nos abô. É de grande importância na medicina popular, pois suas raízes em decocto são um grande remédio para a epilepsia. Toma-se meio copo três vezes ao dia. Apesar da irreversibilidade da doença.
Graviola – Corosol: Tem plena aplicação nos abô dos orixás, nos banhos de abô e nos de limpeza e descarrego. É indispensável aos filhos recolhidos para obrigações de cabeça beberem uma dose do suco pela manhã. O povo usa a graviola nos casos de diabete, aplicando o chá.
Guabiraba anis: Aplicada em todas as obrigações de cabeça, nos abô de uso geral e nos banhos de purificação e limpeza dos filhos dos orixás. Utilizadas do mesmo modo nos abô de ori. A medicina popular a utiliza para pôr fim nas doenças dos olhos (conjuntivites). Banhos demorados favorecem aos sofredores de reumatismo.
Maçã-de-cobra: Usada nas obrigações de cabeça, nos abô e nos banhos de descarrego e limpeza. Não possui uso na medicina popular.
Musgo marinho: Esta planta vive submersa nas águas do mar. É planta que entra nas obrigações de ori e nos banhos de limpeza dos filhos de Yemanjá. Os musgos são utilizados pela medicina caseira nas perturbações das vias respiratórias.
Pata de vaca: Empregada nos banhos de descarrego e nos abô, para limpeza dos filhos do orixá a que pertence. A pata de vaca, na medicina popular, é indicada para exterminar diabetes, e por essa razão, é tida como insulina vegetal. Também cura leucorréia em lavagens vaginais.
Trapoeraba azul – Marianinha:Esta planta é aplicada em todas as obrigações de cabeça, nos abô e nos banhos de limpeza e purificação. Também é axé integrante dos assentamentos do orixá a que pertence. No uso popular a erva é utilizada contra os efeitos de picadas de cobras. É também diurética e age contra o reumatismo. Os filhos da deusa das águas salgadas banham-se periodicamente com esse tipo de vegetal.
Unha de vaca: Aplicada em banhos de descarrego dos filhos de Yemanjá. Na medicina caseira é utilizado como adstringente. Aplicado em lavagens locais e banhos semicúpios para combater males ou doenças do aparelho genital feminino.

REZAS:

Gbàdúrà Yemonja:

Yemonja inú gbé l'odò dé sìngbàYemanjá vive no rio, chega e retribui
Gbà ní a gbè wí (gbà ní odò yin)Receba-nos e proteja-nos em vosso rio
Yemonja inú gbé l'odò dé sìngbàYemanjá vive no rio, chega e retribui
Gbà nì (agbè wí) odò yinReceba-nos e proteja-nos em vosso rio
Tó bo sínú odò yin Òrìsà ÒgìnyónCultuamo-vos suficientemente em vosso rio Orixá dos inhames novos
Gbà ní odò yinReceba-nos em vosso rio
Tó bo sínú odò yin Òrìsà ÒgìnyónCultuamo-vos suficientemente em vosso rio Orixá dos inhames novos
Gbà ní odò yinReceba-nos em vosso rio.

Yemanjá Ogunté:

E o orixá do rio Ogum, que corre por Oyó e Abeokuta, vem do território de Nupe, perto de Bida; também se diz que vem de Tapa, e associada com Abeokuta e Ibadán e de Shaki.
Mãe da vida, e considerada como mãe de todos os orixás.
E dona das águas e representa o mar, fonte fundamental da vida.
Por isso se diz que "o santo nasce do mar".
Foi mulher de Babalú Ayé, de Aggayú, de Orula y de Ogum.
Ogunté – Veste-se de azul-claro e branco e vive nos arrecifes próximos da praia. É uma guerreira terrível que carrega, preso à cintura, um facão e outras armas de ferro confeccionadas por Ogun Alagbedé, seu marido.
É indomável, mas justiceira.
Vive com Ogun em campanhas de guerra. Dizem que é rancorosa, severa e violenta, que não aceita pato em seus sacrifícios e adora carneiro. Gosta de comer galo na companhia de Ogun. Fala-se também, que Ogunte gosta que seus animais sejam castrados na hora do sacrifício.
Seu nome completo é "Yemanjá Ogunte Ogunmasomi" e, entre os ararás é conhecida como Akadume.
Está sincretizada com Nossa Senhora das Neves e gosta que seus adimús sejam regados com muito mel.
Seu nome não deve ser pronunciado por quem tenha ela assentada, sem antes tocar a terra com os dedos e leva-los aos lábios..
Uns dizem que vem da terra de Oyo; e outros, de Mina (versão de Cuba).
"Yemanjá Okuté u Okuti" La do azul celeste, esta nos arrecifes da costa.
"Porteira de Olokun". O mesmo se acha no mar, no rio, no lago, e no mato.
Geralmente por ser do monte se assenta em pedra de ametista e não em pedra do mar.
"Esta Yemanjá trabalha muito". E uma amazona terrível. O rato pertence a ela. Como envia mensagens a seus homens e pode transformar-se em rato pra os visitar, ela teme o cachorro.
E de caráter violento, muito severa e não perdoa.
Vive dentro no mato virgem. E feiticeira, expert em preparar afoxé. (pós mágicos, que preparam-se com seivas de animais, usados para o bem e para o mal)
Gosta de dançar com um majá enroscado nos braços. Não gosta do pato e sim do carneiro.
Sao seus os corais e madrepérolas.
FLORES: Flor da água, violeta, rosas brancas.
PERFUME: Verbena.
ANIMAIS: Carneiro, galo, pomba, galinha de Angola, tartaruga, galinha.
Yemanjá Ogunté não come pato.
SAUDAÇÃO : Seus filhos apóiam o corpo no chão do meio lado, sobre e braço do lado esquerdo e direito, e saúdam-na assim: Omí o Yemayá, Omí Lateo, Omí Yalodde

ORIKI DE YEMANJÁ :

1. Woyo, awoyo jé ile jé odo
2. Iyemanjá a so igbo oju omam
3. Arubo Olokun
4. Feré obimrin oji fon ni taraobá

TRADUÇÃO:

1. Come Yemanjá, em casa e na beira do rio,
2. Yemanjá que faz o mato virar milho,
3. Velha dona do mar
4. Flauta de mulher que ao amanhecer soa na corte do rei.

ORIKI DE YEMANJA USADO NA SANTERIA CUBANA:

Iwo kam aiyagbá Orisá, yuló yanfé nitori gbogbo naa Orisá,
Bawo ri dagba Olodumare na agbara iwo kilodo olugba ni gbobo oni laiye iwo.
Iyami dudu dara naa Iyagba kimi yokotá nilekun,
Iyá tisó niabuku kpelu naa meje,
Aso wiwoo omo lokun gbogbo omó Orisá,
Babalorisa ati Iyalorisa nibinle durode iwo ati kunle ni lese ati fenukune,
Gbogbo awaomó iwo feri yo ati funukeji,
Jikan naa jubelo daradara, ni gbogbo naa ariyayo Orisá oni balo
Nitori omi korin, dukpe Iyemanjá.

TRADUÇÃO:

Oh, Santa Rainha e mãe querida de todos os Orixás, A quem Olodumare comfiou todas as águas do mundo.
Minha mãe, Rainha Negra e Linda que tem assento e trono sobre os mares.
Mãe que, com suas sete saias – as águas dos sete mares –
Protege a todos os filhos de Orixás, babalorixás e ialorixás aqui em nossa casa.
Todos nós, teus filhos, ajoelhamos e beijamos o chão onde pisas,
Na esperança de te vermos bailar a mais linda dança da festa dos Orixás.
Permita, então, que cantemos para ti, em sinal de agradecimento por tudo o que nos tem dado.

IGUARIAS:

Manjar para Yemanjá:

Ingredientes: 250g de creme de arroz; 1 pescada inteira; azeite de oliva.

Modo de preparo:
Faça um mingau com o creme de arroz e água e uma pitada de sal.
Limpe a pescada e asse-a na oliva.
Coloque o mingau numa travessa de louça deixe esfriar e coloque a pescada assada sobre o manjar, regue com oliva.

CURIOSIDADES:

Iemanjá é uma divindade muito popular no Brasil e em Cuba. Seu axé é assentado sobre pedras marinhas e conchas, guardadas numa porcelana azul. O sábado é o dia da semana que lhe é consagrado, juntamente com outras divindades femininas. Seus adeptos usam colares de contas de vidro transparentes e vestem-se, de preferência, de azul-claro. Fazem-se oferendas de carneiro, pato e pratos preparados à base de milho branco, azeite, sal e cebola. "O Canto de Iemanjá" é o mais melancólico dos afro-sambas compostos por Vinicius de Moraes e Baden Powell, em homenagem à cultura candomblé.

7 de jun. de 2009

Mikaia e Dandalunda...

Mikaia, Nkaia ou Kaia(la) - Senhora das águas. Nível mitológico das sereias. Das grandes mães mitológicas. Juntamente com Ndanda Lunda e Kisimbi se tornam a mãe d'água. Esta divindade é identificada com Iemanjá dos Yoruba. Andam neste caminho Nkukueto e até kissanga (que também é uma sereia).

DANDALUNDA:




DANDALUNDA é a filha predileta de MIKAIA e LEMBARAGANGA . Ela representa as riquezas e tem suas cores relacionadas ao metal mais precioso da antiguidade que era o cobre. Sua cor preferida é o amarelo . Mantém profundos laços de amizade com KASSUMBENCA .
DANDALUNDA matém um grande laço de amizade com o Inkice KATENDE , pois para o equilíbrio da mistura das ervas para a feitura do AMACÌ , há necessidade das águas de DANDALUNDA . Deusa das cachoeiras e das águas doces .
QUALIDADES
- MAMETO NGIJI RIA DANDA DILA ( Equivalente a YGEMUN no Kétu )
É a senhora da fecundidade e do feitiço , é velha e vira bruxa na beira do rio. Veste azul e rosa claro , come com LEMBARAGANGA e KAVIUNGO . Não come bicho femea , exceto a pata .
- MAMETO NGIJI RIA DANDARA ( Equivalente a OPARÀ no Kétu )
É jovem e guerreira , companheira de MUKUMBE e KAMBARANGUANGE . Veste rosa claro ou amarelo ouro , tem caminhos muitos fortes com LEMBÁ . Tem fundamento com EGUN .
- MAMETO NGIJI RIA APUNKÉ ( Equivalente a ABALU no Kétu )
É velha , bem idosa , tem numerosos filhos e netos, é severa e autoritária . Usa o azul claro e é a verdadeira dona do leque . Come com MIKAIA no rio e na lagoa . Suas contas são azul cristal . Come tartaruga , cabrito castrado e pata .
- MAMETO NGIJI RIA KISSIMBI ( Equivalente a PONDÀ ou YPONDÀ no Ketu )
É guerreira , casada com GONGOBIRA e mãe de TERE COMPENSO , vive no mato com seu marido , é desconfiada , astuta , observadora e intuitiva . Veste amarelo ouro e na barra da saia azul claro . Relacionada ao fogo e aos cemitérios , pois apesar de não ter nenhum vínculo com MATAMBA , tem ligação com o culto a EGUN . A pata é uma de suas grandes KIZILA . O seu bicho de fundamento é a tartaruga , que aprecia a carne e os ovos . Come com GONGOBIRA , MIKAIA e seu filho TERE COMPENSO .
- MAMETO NGIJI RIA DANDAEWARA ( Equivalente a YIABOTO ou BOTO no Kétu ).
É a DANDALUNDA das nascentes dos rios e dos encontros das águas doces e salgadas, muito bonita e vaidosa. tem fundamento com MIKAIA e KAMBARANGUANGE. É cultuada a beira das lagoas. Veste o amarelo e, geralmente, seus filhos são ABIKÙ. Tem fundamento com ZUMBARANDÁ devido a lagoa. Ela é consagrada rainha da cumeeira.
- MAMETO NGIJI RIA LUNDAMUDILA.
- MAMETO NGIJI RIA DANDA DALU.
- MAMETO NGIJI RIA DANDA BELÉ.
- MAMETO NGINJI RIA DANDA MAIOMBE.

UNSABA
- Oriri, quioco, oxibata, relógio do campo, capueiraba branca, milame, bem-me-quer, brilhantina, amor do campo, baronesa , colonia, bredo sem espinho, alfavaquinha, beldroega, capeba, malva branca, mal-me-que, canela de macaco, parietária, mutamba , oripepe .

30 de mai. de 2009

ORIXÁ BARÁ...



Orixá dinâmico e jovial, é o intermediário entre os homens e as divindades e por ser dono dos caminhos e das encruzilhadas, simboliza o movimento.

Dia da semana: segunda-feira
Cor: vermelha
Guia: vermelha ou corrente de aço
Parte do corpo Bará rege: esqueleto, pênis, pâncreas, uretra, urina, sangue
Ferramentas: foice, chave, corrente, garfo, ponteira, punhal e cachimbo
Lugar de oferendas: cruzeiros abertos, fechados, encruzilhadas
Aves: galo vermelho ou casal de galinhas d'angola
Pombo: preto e cinza
Quatro-pé: bode preto para Bará Lodê, cabrito branco para Bará Agelú
Peixe: pintado
Frutas: manga, ameixa vermelha, butiá, maracujá, cana-de-açúcar
Sobrenomes de Orixá: Lodê, Lanã, Tiriri, Adague, Burucu, Baluaê, Agelú, Toquí, Demí, Alupanda, Bi, Leba, Abanada, bô, Tolabi
Flor: cravo vermelho
Características: dono dos cruzeiros
Dia do ano: Lodê, 29 de junho, demais Barás, 13 de junho
Doce: caramelo, mel, negrinho (brigadeiro) , bombons etc.
Ervas: fumo brabo, dinheiro em penca, arruda macho, alevante guiné, orô, arnica, cipó-mil-homens, carqueja, canela
Saudação: alupo
Apelido: menino
Animal de estimação: rato
Função: abertura de caminho, demanda, etc.
Santo que representa: Lodê: São Pedro, demais Barás: Santo António
Dias do Ano: 13 de junho e29 de junho.

Primeiro Orixá do Panteão Africano, é dinâmico e jovial. É o intermediário entre os homens e as divindades, considerado o mensageiro. Dono dos caminhos e das encruzilhadas simboliza o movimento, portanto fecha e abre os caminhos. É um orixá das questões mais imediatas, relacionadas a dinheiro e trabalho. É a ele que pedimos abertura nos negócios financeiros, pedimos que leve, aos demais Orixás, os nossos pedidos e agradecimentos. Não teremos êxito sem antes pedirmos e ofertarmos algo ao Orixá Bará.

Os Barás dividem-se, basicamente, em dois tipos: "os de dentro de casa": Bará Agelú, Lana, Adague, etc., considerados mais calmos em relação a Bará Lodê, o Bará da Rua, considerado violento e por isso é muito respeitado. O Bará Lodê é o guardião do templo e por isso deve-se cumprimentá-lo por primeiro ao entrar num terreiro de batuque. Seu assentamento e seus pertences ficam guardados à parte, numa casinha, geralmente vermelha na parte frontal do templo. Acompanham o Bará Lodê: Ogum Avagã e lansã Timboá, igualmente denominados Orixás de rua. É o mais humano dos orixás, por exemplo: adora agrados e oferendas, detesta água e chuva, nos dias chuvosos é inútil lhe entregar oferendas, nestes dias é melhor deixá-los guardados no Quarto-de-Santo ou Peji, até que a chuva cesse.

Aqueles que são regidos por Bará, apresentam uma personalidade muito marcante e um comportamento cotidiano muito diverso. São pessoas altamente fiéis aos seus princípios, aos amigos e as suas causas. São corajosos e dedicados.

Amáveis, não medem esforços nem sacrifícios para auxiliar aqueles que amam. Excelentes amantes, a virilidade é uma característica básica daqueles regidos por este orixá.
Características positivas: são comerciantes hábeis e espertos, profissionalmente sempre chegam ao seu objetivo, mesmo que para isto tenham que se empenhar de corpo e alma para conseguirem seus intentos. Fortes, capazes, românticos, felizes, participativos, francos, espertos, inquietos, saudáveis, sinceros, astutos, atentos, rápidos, despachados e sagazes. Características negativas: Severos e exigentes ao extremo, caprichosos, extremamente vaidosos e ambiciosos. Brigões, debochados, brincalhões, sempre esperam uma recompensa por aquilo que fizeram. Tem caráter dúbio, sendo gentil e maldoso ao mesmo tempo.

Lendas

Bará teve numerosas brigas com outros orixás, nem sempre saindo vencedor. Certas lendas nos contam seus sucessos e seus reveses, nas suas relações com Oxalá, ao qual fez passar alguns maus momentos, em vingança por não haver recebido certas oferendas, quando Oxalá foi enviado por Olodumaré, o deus supremo, para criar o mundo. Bará provocou-lhe uma sede tão intensa que Oxalá bebeu vinho de palma em excesso, com conseqüências desastrosas.

Em outras lendas, narra-se que houve uma disputa entre Bará e o Grande Orixá, para saber qual dos dois era o mais antigo e, em conseqüência, o mais respeitável. Oxalá provou sua superioridade durante um combate cheio de peripécias, ao fim do qual ele apoderou-se da cabacinha que encerra o poder de Bará, transformando- o em seu servidor. Durante uma competição, da mesma natureza, entre Bará e Xapanã, foi este último que saiu igualmente vencedor.

O lado malfazejo de Bará é evidenciado nas seguintes histórias: uma delas, bastante conhecida e da qual existem numerosas variações, conta como ele semeou discórdia entre dois amigos que estavam trabalhando em campos vizinhos. Ele colocou um boné vermelho de um lado e branco do outro e passou ao longo de um caminho que separava os dois campos. Ao fim de alguns instantes, um dos amigos fez alusão a um homem de boné vermelho; o outro retrucou que o boné era branco e o primeiro voltou a insistir, mantendo a sua afirmação; o segundo permaneceu firme na retificação. Como ambos eram de boa fé, apegavam-se a seus pontos de vista, sustentando- os com ardor e, logo depois, cólera. Acabaram lutando corpo a corpo e mataram-se um ao outro.

Uma história mais simples, mostra a atividade de Bará na vida cotidiana: uma mulher se encontra no mercado vendendo seus produtos. Bará põe fogo na sua casa, ela corre para lá, abandonando seu negócio. A mulher chega tarde, a casa está queimada e, durante esse tempo, um ladrão levou as suas mercadorias.

Nada disso teria acontecido - nem os amigos teriam brigado nem rei e o príncipe teriam se massacrado se tivessem feito, a Bará, as oferendas usuais.

E ASSIM FOI ESCRITO!...

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BETH REIS-MAKTUB.
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"Felizes aqueles
que reconhecem
os Deuses
em todas
as suas forças;
sabem que Eles
falam todos
os idiomas,
são de todas
as cores
e dançam
de todas
as formas..."
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"O que faz a espiritualidade
do ser humano não é a religião
ou o culto que prega.
Mas sim o comportamento deste,
diante da humanidade em geral,
o respeito que tem pela natureza
e os conceitos
que tem
pelo universo
e pelo própio ser humano"...
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SEJA COMO O SOL!... TOLERE AS NUVENS SOMBRIAS... SEM LHES NEGAR O CALOR... ELAS PASSARÃO... E VOCE CONTINUARÁ BRILHANDO!...
(Nelson Moraes)
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Somos todos diferentes mas com buscas semelhantes. Somos todos semelhantes e com realizações sincrônicas. Somos todos sincrônicos em nossas semelhantes buscas de nossas diferentes Almas. Percorrer o Caminho da Evolução é uma escolha... (Druwittch)
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Gosto muito do meu mundinho. Ele é cheio de surpresas, palavras soltas e cores misturadas. Às vezes tem um céu azul, outras tempestade. Lá dentro cabem sonhos de todos os tamanhos. Mas não cabe muita gente. Todas as pessoas que estão dentro dele não estão por acaso. São necessárias.
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Talvez hoje eu crie asas...e voe! Muito mais do que altura, quero sentir a liberdade! Planarei sobre o oceano de emoções que me habita e o universo que me assusta. Verei as coisas por cima e abrirei os braços para o espaço vazio que há em meu peito. Darei rodopios e mergulharei de cabeça na felicidade. Sob minhas asas, levarei todo o amor que nela couber e me sentirei leve como pluma. Ah,sim...hoje eu voarei! E feliz da vida pousarei no que há de mais belo dentro de mim: a Vida!
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Sou uma bruxinha legal! Sou de amor, flores e paz! Mas se alguém fizer o mal, Vai ver de que sou capaz! heheheheheheheheh!!!!
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O universo é um conjunto de lei e ordem. Todo aquele que fizer uso inadequado das leis universais, terá fatalmente de arcar com as consequências.......
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"Podemos facilmente perdoar uma criança que tem medo do escuro; a real tragédia da vida é quando os homens têm medo da luz". ( Platão)
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O tempo, que tece a vida, não costuma esquecer os infiéis, nem ser ingrato aos que lhe honraram com fidelidade...
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Se queres achar amizade, doçura e poesia, em qualquer parte,leve-as contigo!... ( George Duhamet )
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Você é um ser humano que faz parte da vida que pulsa no Universo. Coloca tua mente acima das dores que ferem seu coração. Siga para frente sem medo. No final, tudo passa, restando sempre as experiências e o saber. Acredite e tenha fé pôr toda a imortalidade!...
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"O valor das coisas não está no tempo em que elas duram, mas na intensidade com que acontecem. Por isso existem momentos inesquecíveis, coisas inexplicáveis e pessoas incomparáveis". (Fernando Pessoa)