
Você, que veio das estrelas e deu o grande mergulho no mundo de matéria.
Você, que veio das estrelas e, com o sacrifício de sua própria origem cósmica, se abrigou num invólucro de carne.
Você, que veio das estrelas e abandonou a realidade universal para habitar o mundo de ilusões.
Você, que veio das estrelas, e que agora sente-se estranhamente só, esqueça-se de tudo e entregue-se aos apelos de sua voz interna. Ouça o que ela tem para lhe dizer, que nada mais é tão importante, nem mesmo os compromissos com que o mundo tenta distrair sua visão cósmica.
Descobrirá que, na verdade, não está só, que são muitos os seus irmãos das estrelas que para cá também vieram para estender a mão e amparar com ombros fortes os passos da humanidade desta difícil época de transição.
Será fácil reconhecê-los, palavras não serão necessárias, e nem mesmo será preciso saber seus verdadeiros nomes.
Saberá encontrá-los pela afinidade de suas energias, pelo chamado de seus corações e pela profunda identificação com seus sentimentos.
Você, que veio das estrelas, sente agora no canto mais íntimo de sua alma, que chegou o momento de encontrar, na Terra, a sua família universal, que chegou o momento do reconhecimento, que chegou o momento da reunião de todas as forças para a realização da missão única de que todos se incumbiram, antes de aqui chegarem.
Abra seu coração, acorde sua consciência adormecida, apalpe seu ser interior, deixe que ele fale, acima de tudo, acima do mundo, acima de todos os conceitos que não lhe permitem existir em toda a sua potencialidade cósmica.
Você, que veio das estrelas, que é todo luz e é todo força, libere-se, que chegou o tempo de abrir as portas para uma nova era.
Você, que veio das estrelas, eterno viajante do espaço, compartilhando agora com tantos outros irmãos uma experiência tridimensional e difícil, não se deixe mais perder em momentos inúteis que lhe trazem apenas solidão, não se deixe mais seduzir pelas falsas luzes do asfalto, assuma sua personalidade cósmica, estenda seus braços e, num único abraço, envolva sua grande família, sua imensa família universal e todos juntos, com plena consciência da unidade de sua origem, cada qual com a sua parcela de colaboração, cumprirão com alegria e coragem o maravilhoso trabalho de conscientização da humanidade para este novo milênio!
(Wagner Borges)
(Pesquisador, projetor e sensitivo espiritualista, conferencista,
autor dos livros "Viagem Espiritual Vols. 1, 2 e 3" e dos livros "Uma lição Extraterrestre"
e "Falando de Espiritualidade Vol. 1",
fundou o Instituto de Pesquisas Projeciológicas e Bioenergéticas - IPPB - www.ippb.org.br)
É colunista de várias revistas dentro da temática espiritual e de vários sites da Internet.
É instrutor de cursos de Projeção da consciência (viagem astral), Bioenergia (aura e chacras), Hinduísmo, Taoísmo, Hermetismo, Mediunidade, Espiritualidade Celta, Xamanismo e temas espirituais em geral.
Foi produtor e apresentador dos programas "Viagem Espiritual", "Viagem Musical" e "Viagem Progressiva"
da Rádio Mundial de São Paulo - 95,7 FM - por três anos.
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19/12/2011
PARA VOCE!...
17/12/2011
02/12/2011
TINTURAS DE ERVAS: DOSES DE ALÍVIO!...
Desfrute do poder das plantas usando tinturas feitas em casa. Em banhos, compressas e escalda-pés, essas poções são fáceis de fazer e trazem bemestar.
FÁCEIS DE FAZER, AS TINTURAS DE ERVAS ALIVIAM CANSAÇO, TENSÃO E OUTROS MALES DO CORPO E DA ALMA. A simples mistura de ervas medicinais com álcool de cereais resulta em líquidos de vários tons de verde, que conservam as propriedades curativas das plantas e trazem alívio para males diversos. A terapeuta goiana Jorene Ferro tem longa experiência com o preparo e o uso de tinturas em seus pacientes: "Elas podem ser elaboradas com a erva seca ou fresca, colhida na lua cheia, quando suas propriedades estão mais fortes. Então, basta mergulhar os ramos em álcool de cereais e deixar curtindo um mês", explica ela, que faz parte da equipe do Hotel Ponto de Luz, em Joanópolis, interior
de São Paulo.
PARA DORES E EMOÇÕES:
As tinturas podem ser feitas em casa ou compradas em farmácias de homeopatia. Observar a procedência e o prazo de validade são as garantias para aproveitar todos os seus benefícios. Elas podem ser friccionadas sobre a pele ou adicionadas à água de gargarejos, banhos, compressas e escalda-pés. Conforme a planta usada, a tintura atua para uma determinada função. Por exemplo, para quem vive
numa cidade grande, sujeito a poluição e tensões, Jorene recomenda a tintura de arruda. Aqueles que têm problemas digestivos podem se beneficiar com uma compressa de boldo sobre o estômago e o fígado (do lado direito, um pouco abaixo das costelas). Já a tintura de hortelã é ótima para o relaxamento muscular, e as de alecrim ou manjericão ajudam a combater o desânimo e a depressão, em doses moderadas.
Quanto ao cuidado com as plantas, o biólogo Glauco Machado Bueno, também de Joanópolis, explica que as ervas medicinais, em geral, só exigem bastante sol e não requerem cuidados especiais. Até porque, segundo ele, quanto mais inóspitas são as condições em que a planta vive, mais forte é o poder curativo: "Ela se fortalece quando tem de disputar espaço para sobreviver, quando precisa se
defender do meio que a circunda", explica ele. Veja abaixo o preparo da tintura, passo a passo.
As ervas colhidas no período da lua cheia têm suas propriedades curativas intensificadas. Em geral, as plantas medicinais só precisam de muito sol para se desenvolver e não requerem cuidados especiais de cultivo.
Você precisa de uma garrafa de vidro escuro (300 ml), limpa, álcool de cereais, etiqueta, caneca e a planta.
Desfolhe uma quantidade de erva fresca equivalente a um copo e coloque na garrafa sem acrescentar água. Se for erva seca, basta meio copo de folhas maceradas e umedecidas com meio copo de água. Adicione o álcool, mas sem encher até a borda da garrafa, deixando um espaço livre.
Coloque etiquetas nos frascos e escreva nelas o nome da planta e a data. O prazo de validade é um ano. Deixe descansar durante um mês em local escuro e não muito quente. Depois, filtre o líquido, transferindo-o para outro frasco, igualmente de vidro escuro. Escolha a tintura certa
Abaixo você descobre que tintura é mais adequada para algumas dores ou estados emocionais, segundo o biólogo Glauco Machado Bueno.
Elas podem ser adicionadas à água do banho de imersão na proporção de 1 colher de sopa de tintura para 1 litro de água pura ou jogadas no corpo depois do banho normal, na mesma proporção. Para compressas frias, derrame um pouco sobre uma toalha e aplique na região que deseja aliviar.
Para compressas quentes, dissolva 1 colher de sopa de tintura para cada litro de água aquecida.
Em gargarejos,! use 5 gotas de tintura para meio copo de água.
Para escalda-pés, a proporção ideal é 5 litros de água quente (até a altura da canela) para 5 colheres de sopa de tintura. Deixe os pés mergulhados por quinze minutos.
-Tintura de alecrim (Rosmarinus officinalis): Tem ação estimulante. No banho de imersão, após o banho de chuveiro ou em massagens nos braços e nas pernas, ajuda a ativar a circulação. Cuidado: pessoas hipertensas devem usá-la com moderação.
-Tintura de manjericão (Ocimum officinalis): Em massagens, alivia cansaço nas pernas e, em compressas ou banhos, é estimulante.
-Tintura de alfazema (Lavandula officinalis): Tem ação calmante. Para dores abdominais, recomendam-se compressas quentes. Para dores de cabeça, use compressas frias na testa. Adicionada ao banho de assento, alivia cólicas menstruais.
-Tintura de arruda (Ruta graveolens): Ótima para banhos de limpeza energética. També! m é eficiente contra piolhos e pulgas na escovação de cães e gatos. Cuidado: nunca tome sol depois da aplicação da tintura de arruda, pois pode manchar a pele.
-Tintura de calêndula (Calendula officinalis), de camomila (Matricaria chamomilla) e de erva-doce (Pimpinella anisum): São antiinflamatórias
e suavizam a pele. A erva-doce é indicada para acne juvenil.
-Tintura de chapéu-de-couro (Echinodorus macrophyllus) e de sálvia (Salvia officinalis): De efeito poderoso, são usadas para a limpeza
energética. A de sálvia serve ainda para gargarejos, curando feridinhas na boca e dor de garganta.
-Tintura de guaco (Mikania glomerata): tem efeito expectorante.
-Tintura de erva-cidreira (Melissa officinalis): Boa contra nervosismo e ansiedade. Não confundir com capim-cidreira.
-Tintura de malva-cheirosa (Pelargonium graveolens): Em forma de banhos quentes, restaura o equilíbrio. Serve tanto para e! stados de
excitação quanto de depressão. Também é eficiente em gargarejos para dores de garganta ou feridas na boca. Não confundir com malva-silvestre.
-Tintura de hortelã: (Menta piperita): Usada em banhos frios, alivia coceiras. Em compressas quentes e inalações, é útil para gripes e
resfriados. Proporciona ainda clareza mental e ajuda a digestão.
-Tintura de mil-em-ramas (Achillea millefolium): É analgésica e antitérmica. Em compressas quentes, é boa para dores articulares e
musculares. Em compressa fria, na testa, é antídoto para o cansaço mental.
-Tintura de pétalas de rosas: Torna a pessoa mais sensível e receptiva. Age contra inflamações e regenera a pele. Cuidado: não use rosas
de floricultura, pois têm agrotóxicos.
30/11/2011
AFIRMAÇÕES!...

As afirmações são declarações positivos designados a vos ajudar a levarem uma vida mais produtiva e harmoniosa. Podem dize-las ou escrevê-las, não importa, desde que sejam curtas e positivas para o trabalho do dia-a-dia.
Uma pequena afirmação seria:
Os anjos trazem harmonia para a minha vida.
Aqui têm uma maior para quando se levantam de manhã ou antes de se deitarem:
Eu sou um com o universo.
Eu sou um com as riquezas da minha mente consciente e subconsciente.
Eu sou um com a divindade.
Está no meu direito prosperar, ser feliz e bem sucedido.
O dinheiro corre para mim livremente, em profusão, e infinitamente.
Eu sou deveras digno das riquezas universais
Os anjos abençoam-me com a riqueza financeira e a segurança.
E em troca, eu abençoo os outros com os meus talentos e o meu amor...
28/11/2011
EGUNS!...

O CULTO DOS EGUNS NO CANDOMBLÉ:
Os negros iorubanos originários da Nigéria trouxeram para o Brasil o culto dos seus ancestrais chamados Eguns ou Egunguns. Em Itaparica (BA), duas sociedades perpetuam essa tradição religiosa.
(Revista Planeta n.º 162 - março 86)
Os cultos de origem africana chegaram ao Brasil juntamente com os escravos. Os iorubanos - um dos grupos étnicos da Nigéria, resultado de vários agrupamentos tribais, tais como Keto, Oyó, Itexá, Ifan e Ifé, de forte tradição, principalmente religiosa - nos enriqueceram com o culto de divindades denominadas genericamente de orixás.
(1 - Por motivos gráficos e para facilitar a leitura, os termos em língua yorubá foram aportuguesados. Ex.: orisá = orixá.)
Esses negros iorubanos não apenas adoram e cultuam suas divindades, mas também seus ancestrais, principalmente os masculinos. A morte não é o ponto final da vida para o iorubano, pois ele acredita na reencarnação (àtúnwa), ou seja, a pessoa renasce no mesmo seio familiar ao qual pertencia; ela revive em um dos seus descendentes. A reencarnação acontece para ambos os sexos; é o fato terrível e angustiante para eles não reencarnar.
Os mortos do sexo feminino recebem o nome de Iami Agbá (minha mãe anciã), mas não são cultuados individualmente. Sua energia como ancestral é aglutinada de forma coletiva e representada por Iami Oxorongá, chamada também de Iá Nlá, a grande mãe.
Esta imensa massa energética que representa o poder de ancestralidade coletiva feminina é cultuada pelas "Sociedades Geledê", compostas exclusivamente por mulheres, e somente elas detêm e manipulam este perigoso poder. O medo da ira de Iami nas comunidades é tão grande que, nos festivais anuais na Nigéria em louvor ao poder feminino ancestral, os homens se vestem de mulher e usam máscaras com características femininas, dançam para acalmar a ira e manter, entre outras coisas, a harmonia entre o poder masculino e o feminino (veja a lenda sobre Odu).
Além da Sociedade Geledê, existe também na Nigéria a Sociedade Oro. Este é o nome dado ao culto coletivo dos mortos masculinos quando não individualizados. Oro é uma divindade tal qual Iami Oxorongá, sendo considerado o representante geral dos antepassados masculinos e cultuado somente por homens. Tanto Iami quanto Oro são manifestações de culto aos mortos. São invisíveis e representam a coletividade, mas o poder de Iami é maior e, portanto, mais controlado, inclusive, pela Sociedade Oro.
Outra forma, e mais importante de culto aos ancestrais masculinos é elaborada pelas "Sociedades Egungum". Estas têm como finalidade celebrar ritos a homens que foram figuras destacadas em suas sociedades ou comunidades quando vivos, para que eles continuem presentes entre seus descendentes de forma privilegiada, mantendo na morte a sua individualidade. Esse mortos surgem de forma visível mas camuflada, a verdadeira resposta religiosa da vida pós-morte, denominada Egum ou Egungum. Somente os mortos do sexo masculino fazem aparições, pois só os homens possuem ou mantém a individualidade; às mulheres é negado este privilégio, assim como o de participar diretamente do culto.
Esses Eguns são cultuados de forma adequada e específica por sua sociedade, em locais e templos com sacerdotes diferentes dos dos orixás. Embora todos os sistemas de sociedade que conhecemos sejam diferentes, o conjunto forma uma só religião: a iorubana.
No Brasil existem duas dessas sociedades de Egungum, cujo tronco comum remonta ao tempo da escravatura: Ilê Agboulá, a mais antiga, em Ponta de Areia, e uma mais recente e ramificação da primeira, o Ilê Oyá, ambas em Itaparica, Bahia (veja quadro histórico).
O Egum é a morte que volta à terra em forma espiritual e visível aos olhos dos vivos. Ele "nasce" através de ritos que sua comunidade elabora e pelas mãos dos Ojé (sacerdotes) munidos de um instrumento invocatório, um bastão chamado ixã, que, quando tocado na terra por três vezes e acompanhado de palavras e gestos rituais, faz com que a "morte se torne vida", e o Egungum ancestral individualizado está de novo "vivo".
A aparição dos Eguns é cercada de total mistério, diferente do culto aos orixás, em que o transe acontece durante as cerimônias públicas, perante olhares profanos, fiéis e iniciados. O Egungum simplesmente surge no salão, causando impacto visual e usando a surpresa como rito. Apresenta-se com uma forma corporal humana totalmente recoberta por uma roupa de tiras multicoloridas, que caem da parte superior da cabeça formando uma grande massa de panos, da qual não se vê nenhum vestígio do que é ou de quem está sob a roupa.
Fala com uma voz gutural inumana, rouca, ou às vezes aguda, metálica e estridente - característica de Egum, chamada de séègí ou sé, e que está relacionada com a voz do macaco marrom, chamado ijimerê na Nigéria (veja lendas de Oyá).
As tradições religiosas dizem que sob a roupa está somente a energia do ancestral; outras correntes já afirmam estar sob os panos algum mariwo (iniciado no culto de Egum) sob transe mediúnico. Mas, contradizendo a lei do culto, os mariwo não podem cair em transe, de qualquer tipo que seja. Pelo sim ou pelo não, Egum está entre os vivos, e não se pode negar sua presença, energética ou mediúnica, pois as roupas ali estão e isto é Egum.
A roupa do Egum - chamada de eku na Nigéria ou opá na Bahia -, ou o Egungum propriamente dito, é altamente sacra ou sacrossanta e, por dogma, nenhum humano pode tocá-la. Todos os mariwo usam o ixã para controlar a "morte", ali representada pelos Eguns. Eles e a assistência não devem tocar-se, pois, como é dito nas falas populares dessas comunidades, a pessoa que for tocada por Egum se tornará um "assombrado", e o perigo a rondará. Ela então deverá passar por vários ritos de purificação para afastar os perigos de doença ou, talvez, a própria morte.
Ora, o Egum é a materialização da morte sob as tiras de pano, e o contato, ainda que um simples esbarrão nessas tiras, é prejudicial. E mesmo os mais qualificados sacerdotes - como os ojé atokun, que invocamm, guiam e zelam por um ou mais Eguns - desempenham todas essas atribuições substituindo as mãos pelo ixã.
Os Egum-Agbá (ancião), também chamados de Babá-Egum (pai), são Eguns que já tiveram os seus ritos completos e permitem, por isso, que suas roupas sejam mais completas e suas vozes sejam liberadas para que eles possam conversar com os vivos. Os Apaaraká são Eguns mudos e suas roupas são as mais simples: não têm tiras e parecem um quadro de pano com duas telas, uma na frente e outra atrás. Esses Eguns ainda estão em processo de elaboração para alcançar o status de Babá; são traquinos e imprevisíveis, assustam e causam terror ao povo.
O eku dos Babá são divididos em três partes:
• o abalá, que é uma armação quadrada ou redonda, como se fosse um chapéu que cobre totalmente a extremidade superior do Babá, e da qual caem várias tiras de panos coloridas, formando uma espécie de franjas ao seu redor;
• o kafô, uma túnica de mangas que acabam em luvas, e pernas que acabam igualmente em sapatos; e
• o banté, que é uma tira de pano especial presa no kafô e individualmente decorada e que identifica o Babá.
O banté, que foi previamente preparado e impregnado de axé (força, poder, energia transmissível e acumulável), é usado pelo Babá quando está falando e abençoando os fiéis. Ele sacode na direção da pessoa e esta faz gestos com as mãos que simulam o ato de pegar algo, no caso o axé, e incorporá-lo. Ao contrário do toque na roupa, este ato é altamente benéfico.
Na Nigéria, os Agbá-Egum portam o mesmo tipo de roupa, mas com alguns apetrechos adicionais: uns usam sobre o alabá mascaras esculpidas em madeira chamadas erê egungum; outros, entre os alabá e o kafô, usam peles de animais; alguns Babá carregam na mão o opá iku e, às vezes, o ixã. Nestes casos, a ira dos Babás é representada por esses instrumentos litúrgicos.
Existem várias qualificações de Egum, como Babá e Apaaraká, conforme sus ritos, e entre os Agbá, conforme suas roupas, paramentos e maneira de se comportarem. As classificações, em verdade, são extensas.
Nas festas de Egungum, em Itaparica, o salão público não tem janelas, e, logo após os fiéis entrarem, a porta principal é fechada e somente aberta no final da cerimônia, quando o dia já está clareando. Os Eguns entram no salão através de uma porta secundária e exclusiva, único local de união com o mundo externo.
Os ancestrais são invocados e eles rondam os espaços físicos do terreiro. Vários amuxã (iniciados que portam o ixã) funcionam como guardas espalhados pelo terreiro e nos seus limites, para evitar que alguns Babá ou os perigosos Apaaraká que escapem aos olhos atentos dos ojés saiam do espaço delimitado e invadam as redondezas não protegidas.
Os Eguns são invocados numa outra construção sacra, perto mas separada do grande salão, chamada de ilê awo (casa do segredo), na Bahia, e igbo igbalé (bosque da floresta), na Nigéria. O ilê awo é dividido em uma ante-sala, onde somente os ojé podem entrar, e o lèsànyin ou ojê agbá entram.
Balé é o local onde estão os idiegungum, os assentamentos - estes são elementos litúrgicos que, associados, individualizam e identificam o Egum ali cultuado - , e o ojubô-babá, que é um buraco feito diretamente na terra, rodeado por vários ixã, os quais, de pé, delimitam o local.
Nos ojubô são colocadas oferendas de alimentos e sacrifícios de animais para o Egum a ser cultuado ou invocado. No ilê awo também está o assentamento da divindade Oyá na qualidade de Igbalé, ou seja, Oyá Igbalé - a única divindade feminina venerada e cultuada, simultaneamente, pelos adeptos e pelos próprios Eguns (veja Mitos Oyá-Egum).
No balé os ojê atokun vão invocar o Egum escolhido diretamente no assentamento, e é neste local que o awo (segredo) - o poder e o axé de Egum - nasce através do conjunto ojê-ixã/idi-ojubô. A roupa é preenchida e Egum se torna visível aos olhos humanos.
Após saírem do ilê awo, os Eguns são conduzidos pelos amuxã até a porta secundária do salão, entrando no local onde os fiéis os esperam, causando espanto e admiração, pois eles ali chegaram levados pelas vozes dos ojê, pelo som dos amuxã, brandindo os ixã pelo chão e aos gritos de saudação e repiques dos tambores dos alabê (tocadores e cantadores de Egum). O clima é realmente perfeito.
O espaço físico do salão é dividido entre sacro e profano. O sacro é a parte onde estão os tambores e seus alabê e várias cadeiras especiais previamente preparadas e escolhidas, nas quais os Eguns, após dançarem e cantarem, descansam por alguns momentos na companhia dos outros, sentados ou andando, mas sempre unidos, o maior tempo possível, com sua comunidade. Este é o objetivo principal do culto: unir os vivos com os mortos.
Nesta parte sacra, mulheres não podem entrar nem tocar nas cadeiras, pois o culto é totalmente restrito aos homens. Mas existem raras e privilegiadas mulheres que são exceção, como se fosse a própria Oyá; elas são geralmente iniciadas no culto dos orixás e possuem simultaneamente oiê (posto e cargo hierárquico) no culto de Egum - estas posições de grande relevância causam inveja à comunidade feminina de fiéis.
São estas mulheres que zelam pelo culto, fora dos mistérios, confeccionando as roupas, mantendo a ordem no salão, respondendo a todos os cânticos ou puxando alguns especiais, que somente elas têm o direito de cantar para os Babá. Antes de iniciar os rituais para Egum, elas fazem uma roda para dançar e cantar em louvor aos orixás; após esta saudação elas permanecem sentadas junto com as outras mulheres. Elas funcionam como elo de ligação entre os atokun e os Eguns ao transmitir suas mensagens aos fiéis. Elas conhecem todos os Babá, seu jeito e suas manias, e sabem como agradá-los(ver quadro: oiê femininos).
Este espaço sagrado é o mundo do Egum nos momentos de encontro com seus descendentes. Assistência está separada deste mundo pelos ixã que os amuxã colocam estrategicamente no chão, fazendo assim uma divisão simbólica e ritual dos espaços, separando a "morte" da "vida". É através do ixã que se evita o contato com o Egun: ele respeita totalmente o preceito, é o instrumento que o invoca e o controla. às vezes, os mariwo são obrigados a segurar o Egum com o ixã no seu peito, tal é a volúpia e a tendência natural de ele tentar ir ao encontro dos vivos, sendo preciso, vez ou outra, o próprio atokun ter de intervir rápida e rispidamente, pois é o ojê que por ele zela e o invoca, pelo qual ele tem grande respeito.
O espaço profano é dividido em dois lados: à esquerda ficam as mulheres e crianças e à direita, os homens. Após Babá entrar no salão, ele começa a cantar seus cânticos preferidos, porque cada Egum em vida pertencia a um determinado orixá. Como diz a religião, toda pessoa tem seu próprio orixá e esta característica é mantida pelo Egum.
Por exemplo: se alguém em vida pertencia a Xangô, quando morto e vindo com Egum, ele terá em suas vestes as características de Xangô, puxando pelas cores vermelha e branca. Portará um oxê (machado de lâmina dupla), que é sua insígnia; pedirá aos alabês que toquem o alujá, que também é o ritmo preferido de Xangô, e dançará ao som dos tambores e das palmas entusiastas e excitantemente marcadas pelo oiê femininos, que também responderão aos cânticos e exigirão a mesma animação das outras pessoas ali presentes.
Babá também dançará e cantará suas próprias músicas, após ter louvado a todos e ser bastante reverenciado. Ele conversará com os fiéis, falará em um possível iorubá arcaico e seu atokun funcionará como tradutor. Babá-Egum começará perguntando pelos seus fiéis mais freqüentes, principalmente pelos oiê femininos; depois, pelos outros e finalmente será apresentado às pessoas que ali chegaram pela primeira vez.
Babá estará orientando, abençoando e punindo, se necessário, fazendo o papél de um verdadeiro pai, presente entre seus descendentes para aconselhá-los e protegê-los, mantendo assim a moral disciplina comum às suas comunidades, funcionando como verdadeiro mediador dos costumes e das tradições religiosas e laicas.
Finalizando a conversa com os fiéis e já tendo visto seus filhos, Babá-Egum parte, a festa termina e a porta principal é aberta: o dia já amanheceu. Babá partiu, mas continuará protegendo e abençoando os que foram vê-lo.
Esta é uma breve descrição de Egungum, de uma festa e de sua sociedade, não detalhada, mas o suficiente para um primeiro e simples contato com este importante lado da religião. E também para se compreender a morte e a vida através das ancestralidades cultuadas nessas comunidades de Itaparica, como um reflexo da sobrevivência direta, cultural e religiosa dos iorubanos da Nigéria.
( Manoel Gomes Filho )
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