O CULTO DOS EGUNS NO CANDOMBLÉ:
Os negros iorubanos originários da Nigéria trouxeram para o Brasil o culto dos seus ancestrais chamados Eguns ou Egunguns. Em Itaparica (BA), duas sociedades perpetuam essa tradição religiosa.
(Revista Planeta n.º 162 - março 86)
Os cultos de origem africana chegaram ao Brasil juntamente com os escravos. Os iorubanos - um dos grupos étnicos da Nigéria, resultado de vários agrupamentos tribais, tais como Keto, Oyó, Itexá, Ifan e Ifé, de forte tradição, principalmente religiosa - nos enriqueceram com o culto de divindades denominadas genericamente de orixás.
(1 - Por motivos gráficos e para facilitar a leitura, os termos em língua yorubá foram aportuguesados. Ex.: orisá = orixá.)
Esses negros iorubanos não apenas adoram e cultuam suas divindades, mas também seus ancestrais, principalmente os masculinos. A morte não é o ponto final da vida para o iorubano, pois ele acredita na reencarnação (àtúnwa), ou seja, a pessoa renasce no mesmo seio familiar ao qual pertencia; ela revive em um dos seus descendentes. A reencarnação acontece para ambos os sexos; é o fato terrível e angustiante para eles não reencarnar.
Os mortos do sexo feminino recebem o nome de Iami Agbá (minha mãe anciã), mas não são cultuados individualmente. Sua energia como ancestral é aglutinada de forma coletiva e representada por Iami Oxorongá, chamada também de Iá Nlá, a grande mãe.
Esta imensa massa energética que representa o poder de ancestralidade coletiva feminina é cultuada pelas "Sociedades Geledê", compostas exclusivamente por mulheres, e somente elas detêm e manipulam este perigoso poder. O medo da ira de Iami nas comunidades é tão grande que, nos festivais anuais na Nigéria em louvor ao poder feminino ancestral, os homens se vestem de mulher e usam máscaras com características femininas, dançam para acalmar a ira e manter, entre outras coisas, a harmonia entre o poder masculino e o feminino (veja a lenda sobre Odu).
Além da Sociedade Geledê, existe também na Nigéria a Sociedade Oro. Este é o nome dado ao culto coletivo dos mortos masculinos quando não individualizados. Oro é uma divindade tal qual Iami Oxorongá, sendo considerado o representante geral dos antepassados masculinos e cultuado somente por homens. Tanto Iami quanto Oro são manifestações de culto aos mortos. São invisíveis e representam a coletividade, mas o poder de Iami é maior e, portanto, mais controlado, inclusive, pela Sociedade Oro.
Outra forma, e mais importante de culto aos ancestrais masculinos é elaborada pelas "Sociedades Egungum". Estas têm como finalidade celebrar ritos a homens que foram figuras destacadas em suas sociedades ou comunidades quando vivos, para que eles continuem presentes entre seus descendentes de forma privilegiada, mantendo na morte a sua individualidade. Esse mortos surgem de forma visível mas camuflada, a verdadeira resposta religiosa da vida pós-morte, denominada Egum ou Egungum. Somente os mortos do sexo masculino fazem aparições, pois só os homens possuem ou mantém a individualidade; às mulheres é negado este privilégio, assim como o de participar diretamente do culto.
Esses Eguns são cultuados de forma adequada e específica por sua sociedade, em locais e templos com sacerdotes diferentes dos dos orixás. Embora todos os sistemas de sociedade que conhecemos sejam diferentes, o conjunto forma uma só religião: a iorubana.
No Brasil existem duas dessas sociedades de Egungum, cujo tronco comum remonta ao tempo da escravatura: Ilê Agboulá, a mais antiga, em Ponta de Areia, e uma mais recente e ramificação da primeira, o Ilê Oyá, ambas em Itaparica, Bahia (veja quadro histórico).
O Egum é a morte que volta à terra em forma espiritual e visível aos olhos dos vivos. Ele "nasce" através de ritos que sua comunidade elabora e pelas mãos dos Ojé (sacerdotes) munidos de um instrumento invocatório, um bastão chamado ixã, que, quando tocado na terra por três vezes e acompanhado de palavras e gestos rituais, faz com que a "morte se torne vida", e o Egungum ancestral individualizado está de novo "vivo".
A aparição dos Eguns é cercada de total mistério, diferente do culto aos orixás, em que o transe acontece durante as cerimônias públicas, perante olhares profanos, fiéis e iniciados. O Egungum simplesmente surge no salão, causando impacto visual e usando a surpresa como rito. Apresenta-se com uma forma corporal humana totalmente recoberta por uma roupa de tiras multicoloridas, que caem da parte superior da cabeça formando uma grande massa de panos, da qual não se vê nenhum vestígio do que é ou de quem está sob a roupa.
Fala com uma voz gutural inumana, rouca, ou às vezes aguda, metálica e estridente - característica de Egum, chamada de séègí ou sé, e que está relacionada com a voz do macaco marrom, chamado ijimerê na Nigéria (veja lendas de Oyá).
As tradições religiosas dizem que sob a roupa está somente a energia do ancestral; outras correntes já afirmam estar sob os panos algum mariwo (iniciado no culto de Egum) sob transe mediúnico. Mas, contradizendo a lei do culto, os mariwo não podem cair em transe, de qualquer tipo que seja. Pelo sim ou pelo não, Egum está entre os vivos, e não se pode negar sua presença, energética ou mediúnica, pois as roupas ali estão e isto é Egum.
A roupa do Egum - chamada de eku na Nigéria ou opá na Bahia -, ou o Egungum propriamente dito, é altamente sacra ou sacrossanta e, por dogma, nenhum humano pode tocá-la. Todos os mariwo usam o ixã para controlar a "morte", ali representada pelos Eguns. Eles e a assistência não devem tocar-se, pois, como é dito nas falas populares dessas comunidades, a pessoa que for tocada por Egum se tornará um "assombrado", e o perigo a rondará. Ela então deverá passar por vários ritos de purificação para afastar os perigos de doença ou, talvez, a própria morte.
Ora, o Egum é a materialização da morte sob as tiras de pano, e o contato, ainda que um simples esbarrão nessas tiras, é prejudicial. E mesmo os mais qualificados sacerdotes - como os ojé atokun, que invocamm, guiam e zelam por um ou mais Eguns - desempenham todas essas atribuições substituindo as mãos pelo ixã.
Os Egum-Agbá (ancião), também chamados de Babá-Egum (pai), são Eguns que já tiveram os seus ritos completos e permitem, por isso, que suas roupas sejam mais completas e suas vozes sejam liberadas para que eles possam conversar com os vivos. Os Apaaraká são Eguns mudos e suas roupas são as mais simples: não têm tiras e parecem um quadro de pano com duas telas, uma na frente e outra atrás. Esses Eguns ainda estão em processo de elaboração para alcançar o status de Babá; são traquinos e imprevisíveis, assustam e causam terror ao povo.
O eku dos Babá são divididos em três partes:
• o abalá, que é uma armação quadrada ou redonda, como se fosse um chapéu que cobre totalmente a extremidade superior do Babá, e da qual caem várias tiras de panos coloridas, formando uma espécie de franjas ao seu redor;
• o kafô, uma túnica de mangas que acabam em luvas, e pernas que acabam igualmente em sapatos; e
• o banté, que é uma tira de pano especial presa no kafô e individualmente decorada e que identifica o Babá.
O banté, que foi previamente preparado e impregnado de axé (força, poder, energia transmissível e acumulável), é usado pelo Babá quando está falando e abençoando os fiéis. Ele sacode na direção da pessoa e esta faz gestos com as mãos que simulam o ato de pegar algo, no caso o axé, e incorporá-lo. Ao contrário do toque na roupa, este ato é altamente benéfico.
Na Nigéria, os Agbá-Egum portam o mesmo tipo de roupa, mas com alguns apetrechos adicionais: uns usam sobre o alabá mascaras esculpidas em madeira chamadas erê egungum; outros, entre os alabá e o kafô, usam peles de animais; alguns Babá carregam na mão o opá iku e, às vezes, o ixã. Nestes casos, a ira dos Babás é representada por esses instrumentos litúrgicos.
Existem várias qualificações de Egum, como Babá e Apaaraká, conforme sus ritos, e entre os Agbá, conforme suas roupas, paramentos e maneira de se comportarem. As classificações, em verdade, são extensas.
Nas festas de Egungum, em Itaparica, o salão público não tem janelas, e, logo após os fiéis entrarem, a porta principal é fechada e somente aberta no final da cerimônia, quando o dia já está clareando. Os Eguns entram no salão através de uma porta secundária e exclusiva, único local de união com o mundo externo.
Os ancestrais são invocados e eles rondam os espaços físicos do terreiro. Vários amuxã (iniciados que portam o ixã) funcionam como guardas espalhados pelo terreiro e nos seus limites, para evitar que alguns Babá ou os perigosos Apaaraká que escapem aos olhos atentos dos ojés saiam do espaço delimitado e invadam as redondezas não protegidas.
Os Eguns são invocados numa outra construção sacra, perto mas separada do grande salão, chamada de ilê awo (casa do segredo), na Bahia, e igbo igbalé (bosque da floresta), na Nigéria. O ilê awo é dividido em uma ante-sala, onde somente os ojé podem entrar, e o lèsànyin ou ojê agbá entram.
Balé é o local onde estão os idiegungum, os assentamentos - estes são elementos litúrgicos que, associados, individualizam e identificam o Egum ali cultuado - , e o ojubô-babá, que é um buraco feito diretamente na terra, rodeado por vários ixã, os quais, de pé, delimitam o local.
Nos ojubô são colocadas oferendas de alimentos e sacrifícios de animais para o Egum a ser cultuado ou invocado. No ilê awo também está o assentamento da divindade Oyá na qualidade de Igbalé, ou seja, Oyá Igbalé - a única divindade feminina venerada e cultuada, simultaneamente, pelos adeptos e pelos próprios Eguns (veja Mitos Oyá-Egum).
No balé os ojê atokun vão invocar o Egum escolhido diretamente no assentamento, e é neste local que o awo (segredo) - o poder e o axé de Egum - nasce através do conjunto ojê-ixã/idi-ojubô. A roupa é preenchida e Egum se torna visível aos olhos humanos.
Após saírem do ilê awo, os Eguns são conduzidos pelos amuxã até a porta secundária do salão, entrando no local onde os fiéis os esperam, causando espanto e admiração, pois eles ali chegaram levados pelas vozes dos ojê, pelo som dos amuxã, brandindo os ixã pelo chão e aos gritos de saudação e repiques dos tambores dos alabê (tocadores e cantadores de Egum). O clima é realmente perfeito.
O espaço físico do salão é dividido entre sacro e profano. O sacro é a parte onde estão os tambores e seus alabê e várias cadeiras especiais previamente preparadas e escolhidas, nas quais os Eguns, após dançarem e cantarem, descansam por alguns momentos na companhia dos outros, sentados ou andando, mas sempre unidos, o maior tempo possível, com sua comunidade. Este é o objetivo principal do culto: unir os vivos com os mortos.
Nesta parte sacra, mulheres não podem entrar nem tocar nas cadeiras, pois o culto é totalmente restrito aos homens. Mas existem raras e privilegiadas mulheres que são exceção, como se fosse a própria Oyá; elas são geralmente iniciadas no culto dos orixás e possuem simultaneamente oiê (posto e cargo hierárquico) no culto de Egum - estas posições de grande relevância causam inveja à comunidade feminina de fiéis.
São estas mulheres que zelam pelo culto, fora dos mistérios, confeccionando as roupas, mantendo a ordem no salão, respondendo a todos os cânticos ou puxando alguns especiais, que somente elas têm o direito de cantar para os Babá. Antes de iniciar os rituais para Egum, elas fazem uma roda para dançar e cantar em louvor aos orixás; após esta saudação elas permanecem sentadas junto com as outras mulheres. Elas funcionam como elo de ligação entre os atokun e os Eguns ao transmitir suas mensagens aos fiéis. Elas conhecem todos os Babá, seu jeito e suas manias, e sabem como agradá-los(ver quadro: oiê femininos).
Este espaço sagrado é o mundo do Egum nos momentos de encontro com seus descendentes. Assistência está separada deste mundo pelos ixã que os amuxã colocam estrategicamente no chão, fazendo assim uma divisão simbólica e ritual dos espaços, separando a "morte" da "vida". É através do ixã que se evita o contato com o Egun: ele respeita totalmente o preceito, é o instrumento que o invoca e o controla. às vezes, os mariwo são obrigados a segurar o Egum com o ixã no seu peito, tal é a volúpia e a tendência natural de ele tentar ir ao encontro dos vivos, sendo preciso, vez ou outra, o próprio atokun ter de intervir rápida e rispidamente, pois é o ojê que por ele zela e o invoca, pelo qual ele tem grande respeito.
O espaço profano é dividido em dois lados: à esquerda ficam as mulheres e crianças e à direita, os homens. Após Babá entrar no salão, ele começa a cantar seus cânticos preferidos, porque cada Egum em vida pertencia a um determinado orixá. Como diz a religião, toda pessoa tem seu próprio orixá e esta característica é mantida pelo Egum.
Por exemplo: se alguém em vida pertencia a Xangô, quando morto e vindo com Egum, ele terá em suas vestes as características de Xangô, puxando pelas cores vermelha e branca. Portará um oxê (machado de lâmina dupla), que é sua insígnia; pedirá aos alabês que toquem o alujá, que também é o ritmo preferido de Xangô, e dançará ao som dos tambores e das palmas entusiastas e excitantemente marcadas pelo oiê femininos, que também responderão aos cânticos e exigirão a mesma animação das outras pessoas ali presentes.
Babá também dançará e cantará suas próprias músicas, após ter louvado a todos e ser bastante reverenciado. Ele conversará com os fiéis, falará em um possível iorubá arcaico e seu atokun funcionará como tradutor. Babá-Egum começará perguntando pelos seus fiéis mais freqüentes, principalmente pelos oiê femininos; depois, pelos outros e finalmente será apresentado às pessoas que ali chegaram pela primeira vez.
Babá estará orientando, abençoando e punindo, se necessário, fazendo o papél de um verdadeiro pai, presente entre seus descendentes para aconselhá-los e protegê-los, mantendo assim a moral disciplina comum às suas comunidades, funcionando como verdadeiro mediador dos costumes e das tradições religiosas e laicas.
Finalizando a conversa com os fiéis e já tendo visto seus filhos, Babá-Egum parte, a festa termina e a porta principal é aberta: o dia já amanheceu. Babá partiu, mas continuará protegendo e abençoando os que foram vê-lo.
Esta é uma breve descrição de Egungum, de uma festa e de sua sociedade, não detalhada, mas o suficiente para um primeiro e simples contato com este importante lado da religião. E também para se compreender a morte e a vida através das ancestralidades cultuadas nessas comunidades de Itaparica, como um reflexo da sobrevivência direta, cultural e religiosa dos iorubanos da Nigéria.
( Manoel Gomes Filho )
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28 de nov. de 2011
EGUNS!...
3 de nov. de 2011
FOGO FÁTUO!...
( 1 )O fogo-fátuo (ignis fatuus em latim), também chamado de fogo tolo ou, no interior do Brasil, fogo corredor ou joão-galafoice, é uma luz azulada que pode ser avistada em cemitérios, pântanos, brejos, beira de lagoas, rios, ilhas, locais em decomposição, regiões ricas em material orgânico etc.. É a inflamação espontânea do gás dos pântanos (metano), resultante da decomposição de seres vivos: plantas e animais típicos do ambiente.
( 2 )Visão folclórica:
Os indígenas do Brasil Central o chamam de boitatá ( boi = cobra; tatá = fogo, em tupi-guarani) e significa para eles o espírito que corre atrás dos que tentam incendiar os campos.Nas lendas na Inglaterra o herói desvira uma peça de roupa para fazer desaparecer o poder do fogo.Os fogos fátuos dão origem a muitas superstições populares. Se acredita que são espíritos malignos que molestam ou fazem se extraviar os viajantes ou afastar alguém que tenta se aproximar. Há quem os consideram como presságios de morte ou desgraças.
( 3 )Fenômeno:
Quando um corpo orgânico começa a entrar em putrefação, ocorre a emissão do gás metano (CH4). O metano, em condições especiais de pressão e temperatura, em local não ventilado, começa a sair do solo e se misturar com o oxigênio do ar. Em uma porcentagem de aproximadamente 28%, o metano se inflama espontaneamente, sem necessidade de uma faísca. Forma uma chama azulada, de curta duração, gerando um pequeno ruído.
Os fogos-fátuos são produtos da combustão do gás metano gerados pela decomposição de substâncias orgânicas, ou a fosforescência natural dos sais de cálcio presentes nos ossos enterrados.
Muitos que avistam o fenômeno tendem a evacuar o local rapidamente, o quê, devido ao deslocamento do ar, faz com que o fogo fátuo mova-se na mesma direção da pessoa. Tal fato leva muitos a acreditar que o fenômeno se trata de um evento sobrenatural, tais como espíritos, fantasmas, óvnis, dentre outros.
Existem bolas de fogos oriundas deste fenômeno que chegam a ficar na atmosfera mais de uma hora, porém trata-se de casos raríssimos e com poucas ocorrências.
( 4 ) É um impressionante fenômeno que costuma ocorrer em cemitérios ou pântanos. De tempos em tempos, surgem misteriosas chamas azuladas, que aparecem por alguns segundos na superfície e logo depois somem sem deixar vestígios. Hoje, os cientistas sabem que esse fogo esquisito está ligado à decomposição dos corpos de seres vivos. Nesse processo, as bactérias que metabolizam a matéria orgânica produzem gases que entram em combustão espontânea em contato com o ar. "Ocorre uma pequena explosão e a chama azulada vem acompanhada de um estrondo que assusta quem está por perto", afirma o químico Luiz Henrique Ferreira, da Universidade Federal de São Carlos (Ufscar). Com tudo isso, não é de se espantar que o fenômeno alimente lendas de fantasmas, assombrações e almas penadas. No Brasil, ele deu origem a um dos primeiros mitos indígenas de que se tem notícia: o boitatá, a enorme serpente de fogo que mata quem destrói as florestas.
O fogo-fátuo chegou a ser descrito, ainda em 1560, pelo jesuíta português José de Anchieta: "Junto do mar e dos rios, não se vê outra coisa senão o boitatá, o facho cintilante de fogo que rapidamente acomete os índios e mata-os."
( 5 )Chamas do além :
( Gases de decomposições alimentam o estranho fenômeno )
1. Quando um ser vivo morre, várias espécies de bactérias entram em ação para decompor a matéria orgânica. Nesse processo, ocorre a produção de dois gases, o metano e a fosfina, que serão os responsáveis pelo fenômeno do fogo-fátuo
2. Aos poucos, a concentração desses gases cresce, por exemplo, dentro de um caixão. Isso aumenta a pressão no subsolo, fazendo com que a mistura vaze por pequenas fendas e suba em direção à superfície, esgueirando-se pelos poros da terra
3. Na superfície, em contato com o oxigênio do ar, os dois gases entram em combustão espontânea, produzindo uma chama azulada. Tudo ocorre rápido e a chama não dura mais que alguns segundos
4. Para quem está perto do fenômeno, a reação instintiva é correr. O problema é que esse movimento causa um deslocamento brusco de ar, puxando a chama e dando a impressão de que ela tenta perseguir a vítima - como um fantasma, uma alma penada ou o boitatá dos índios brasileiros
( 2 )Visão folclórica:
Os indígenas do Brasil Central o chamam de boitatá ( boi = cobra; tatá = fogo, em tupi-guarani) e significa para eles o espírito que corre atrás dos que tentam incendiar os campos.Nas lendas na Inglaterra o herói desvira uma peça de roupa para fazer desaparecer o poder do fogo.Os fogos fátuos dão origem a muitas superstições populares. Se acredita que são espíritos malignos que molestam ou fazem se extraviar os viajantes ou afastar alguém que tenta se aproximar. Há quem os consideram como presságios de morte ou desgraças.
( 3 )Fenômeno:
Quando um corpo orgânico começa a entrar em putrefação, ocorre a emissão do gás metano (CH4). O metano, em condições especiais de pressão e temperatura, em local não ventilado, começa a sair do solo e se misturar com o oxigênio do ar. Em uma porcentagem de aproximadamente 28%, o metano se inflama espontaneamente, sem necessidade de uma faísca. Forma uma chama azulada, de curta duração, gerando um pequeno ruído.
Os fogos-fátuos são produtos da combustão do gás metano gerados pela decomposição de substâncias orgânicas, ou a fosforescência natural dos sais de cálcio presentes nos ossos enterrados.
Muitos que avistam o fenômeno tendem a evacuar o local rapidamente, o quê, devido ao deslocamento do ar, faz com que o fogo fátuo mova-se na mesma direção da pessoa. Tal fato leva muitos a acreditar que o fenômeno se trata de um evento sobrenatural, tais como espíritos, fantasmas, óvnis, dentre outros.
Existem bolas de fogos oriundas deste fenômeno que chegam a ficar na atmosfera mais de uma hora, porém trata-se de casos raríssimos e com poucas ocorrências.
( 4 ) É um impressionante fenômeno que costuma ocorrer em cemitérios ou pântanos. De tempos em tempos, surgem misteriosas chamas azuladas, que aparecem por alguns segundos na superfície e logo depois somem sem deixar vestígios. Hoje, os cientistas sabem que esse fogo esquisito está ligado à decomposição dos corpos de seres vivos. Nesse processo, as bactérias que metabolizam a matéria orgânica produzem gases que entram em combustão espontânea em contato com o ar. "Ocorre uma pequena explosão e a chama azulada vem acompanhada de um estrondo que assusta quem está por perto", afirma o químico Luiz Henrique Ferreira, da Universidade Federal de São Carlos (Ufscar). Com tudo isso, não é de se espantar que o fenômeno alimente lendas de fantasmas, assombrações e almas penadas. No Brasil, ele deu origem a um dos primeiros mitos indígenas de que se tem notícia: o boitatá, a enorme serpente de fogo que mata quem destrói as florestas.
O fogo-fátuo chegou a ser descrito, ainda em 1560, pelo jesuíta português José de Anchieta: "Junto do mar e dos rios, não se vê outra coisa senão o boitatá, o facho cintilante de fogo que rapidamente acomete os índios e mata-os."
( 5 )Chamas do além :
( Gases de decomposições alimentam o estranho fenômeno )
1. Quando um ser vivo morre, várias espécies de bactérias entram em ação para decompor a matéria orgânica. Nesse processo, ocorre a produção de dois gases, o metano e a fosfina, que serão os responsáveis pelo fenômeno do fogo-fátuo
2. Aos poucos, a concentração desses gases cresce, por exemplo, dentro de um caixão. Isso aumenta a pressão no subsolo, fazendo com que a mistura vaze por pequenas fendas e suba em direção à superfície, esgueirando-se pelos poros da terra
3. Na superfície, em contato com o oxigênio do ar, os dois gases entram em combustão espontânea, produzindo uma chama azulada. Tudo ocorre rápido e a chama não dura mais que alguns segundos
4. Para quem está perto do fenômeno, a reação instintiva é correr. O problema é que esse movimento causa um deslocamento brusco de ar, puxando a chama e dando a impressão de que ela tenta perseguir a vítima - como um fantasma, uma alma penada ou o boitatá dos índios brasileiros
17 de out. de 2011
MITOS SOBRE EXU!...
Passemos a tentar esclarecer alguns pontos que são mitos dentro da Umbanda. Mitos que foram criados por pessoas que não entendiam o verdadeiro trabalho de Exu na Umbanda, aliás não entendiam o verdadeiro trabalho da Umbanda.
A Umbanda em sua dinâmica básica lida com espíritos dos mais variados graus de evolução. As entidades, guias e mentores que se apresentam nos terreiros exercem um trabalho incansável contra as forças trevosas.
A origem de qualquer coisa em uma religião tem a ver com a função dela dentro da mesma.
Na Umbanda a origem de Exu está em função da necessidade de existirem guardiões, encaminhadores e combatentes das forças trevosas, que é o trabalho básico da Umbanda. Por isso se diz que "Sem Exu não se faz nada". Isso não porque Exu não deixa, porque é vingador, traidor ou voluntarioso como querem fazer pensar algumas lendas sobre Exu, mas sim porque não há como combater forças trevosas sem defesa e proteção.
Então pode vir a pergunta: "Então nossos guias (caboclos e pretos velhos) não nos protegem e defendem?" Claro que protegem e defendem, entretanto cabe a Exu o primeiro combate, o combate direto contra as energias que circulam no Astral Inferior. Esta é a especialidade de Exu, pois conhece profundamente os caminhos e trilhas desse ambiente energético. É a sua função primeira, assim como a dos Caboclos e Pretos Velhos é a de nos orientar e aconselhar.
Tudo na Umbanda é organizado, coerente e lógico.
Tendo isso em mente, um segundo mito a ser desfeito diz respeito a confiabilidade de Exu. Como disse anteriormente, Exu não é traidor! Qual a lógica de Orixá e entidades de luz o colocarem como guardião, defensor se ele fosse "subornável", se ele não fosse confiável?
Seguindo o mesmo raciocínio outro mito que não tem base alguma é "Exu tanto faz o mal quanto faz o bem e depende de quem pede. Nós é que somos os maus na história". Não existe "defesa" pior para Exu do que esta, pois trata-se de outra incoerência! Se uma criança sabe diferenciar o bem do mal, como Exu, conhecedor de segredos de magia, manipulador de magia, defensor, combatente de forças trevosas possa ser tão imbecil a ponto de não diferenciar o bem e do mal e o que é pior trair a confiança de Caboclo e Pretos Velhos? E ainda por cima não ter nenhum tipo de aspiração evolutiva, ou seja, ficar sempre entregue a mercê de nossa vontade nunca aspirando evoluir?Aí vem outra pergunta: "Mas eu fui num terreiro e disseram que o trabalho contra mim foi feito por um Tranca Ruas". Resposta: o trabalho foi feito por um obsessor se passando por Tranca Ruas. Aliás, obsessor se passa por tudo, inclusive por enviado de Orixá, como Caboclo e Preto Velho.E por que isso acontece? Por causa de médiuns invigilantes. Médiuns pouco compromissados com o Astral Superior, médiuns e dirigentes ignorantes. Médiuns e dirigentes que buscam os terreiros de Umbanda para satisfazer as suas baixas aspirações, como válvulas de escape para fazerem "incorporados" o que não tem coragem de fazer de "cara limpa"! Médiuns de moral duvidosa que gritam, xingam, bebem, dançam de maneira grotesca para uma casa religiosa e imputam a Exu esses desvarios. Caso estejam realmente incorporados estão na realidade é sofrendo a incorporação de kiumbas (que são espíritos moralmente atrofiados ou que buscam apenas tumultuar o ambiente). Nunca um Exu ou Pomba Gira de verdade irá se prestar a um papel desses.Outro ponto que gera muita confusão diz respeito a incorporação de Exu, pois já ouvi a pergunta: "Se ele é guardião, quando está incorporado não está "guardando" nada." Novamente a lógica e a coerência devem falar mais alto do que a ignorância e a incredibilidade.O Exu Guardião não é o que incorpora nos terreiros. Os que incorporam são Exus de Trabalho (como costumamos chamar), de defesa pessoal do médium. Esses Exus também participam dos trabalhos junto aos Exus Guardiões e Amparadores no combate as forças do Astral Inferior, mas os Exus de Trabalho tem um outro tipo de compromisso que é com a Banda do médium e para com a Casa a qual o médium está. Por isso respeitam o templo religioso e não induzem o médium a embriaguez, algazarra ou a comportamentos chulos e deselegantes.
São espíritos de luz em busca de evolução. Que estão altamente compromissados com as esferas superiores, com os guias e protetores do médium e com toda a egrégora de luz da Casa na qual o médium está inserido. Trabalhando diretamente com esta egrégora eles auxiliam no combate e encaminhamento dos espíritos que são atraídos pela corrente de desobsessão do terreiro que fazem parte.Entretanto, cabe lembrar, que o estágio evolutivo de Exu de Trabalho está abaixo de Caboclo e Preto Velho. Isso não significa que não seja evoluído apenas encontra-se num estágio abaixo.
Sua energia é mais densa. Conseqüentemente a sua vibração ou energia de incorporação está mais próxima (ou mais similar) a vibração de terra, exigindo do médium um nível de elevação diferenciado do que quando vai incorporar um Caboclo ou Preto Velho ou até mesmo outro enviado de Orixá. Ou seja, quando o médium se prepara para a incorporação, ele tem que se concentrar e elevar a sua própria vibração, enquanto a entidade incorporante baixa a sua. Quanto mais evoluída for a entidade incorporante, mais sutil é a sua energia e mais exigirá do médium concentração e elevação para a incorporação.
Outro aspecto a ressaltar é que esse estágio evolutivo não impede Exu de trabalhar conjunta e harmoniosamente com entidades mais evoluídas, até porque além de trabalharem sob as suas ordens, ou seja, sob as ordens de enviados de Orixá, a questão "hierarquia" é muito bem resolvida no Astral Superior. Lá não existem "disputas" pelo "poder" ou se questiona quem "manda". Todos estão conscientes de seus papéis e do trabalho que precisa ser realizado, além de trabalharem com um mesmo objetivo, a Caridade!
A palavra de ordem de Exu é "compromisso"! Por tudo isso ele não é e nem nunca foi traidor ou "mal".
( Do livro: Umbanda - Mitos e Realidade
Mãe Iassan)
26 de set. de 2011
SINCRETISMO!...
Um dos assuntos que mais tem chamado a atenção daqueles que militam no meio umbandista, e que tem causado uma grande confusão principalmente na mente dos iniciantes do Culto Umbandista, é, sem dúvida, o Sincretismo Religioso, para quem não sabe o que significa sincretismo ele é (Tendência à unificação de idéias ou de doutrinas diversificadas e, por vezes, até mesmo inconciliáveis).Para entendermos melhor o processo de semelhança entre as divindades cultuadas pelos diversos povos africanos e os santos católicos, e seus reflexos dentro da Corrente Astral de Umbanda, necessário se faz voltarmos ao século XVI, período em que os negros começaram a desembarcar em Terras de Santa Cruz (Brasil).Tratados como bichos pelos senhores de engenho, os negros escravos, nas poucas horas de descanso, praticavam rituais próprios de adoração e evocação de suas divindades, as quais chamavam de orixás. No entanto, eram fortes a influência e a pressão que os sacerdotes católicos exerciam sobre os latifundiários, para que estes os auxiliassem na tarefa de destruir a religiosidade dos negros.Pois bem, diante da feroz vigilância e repressão, os negros, inteligentemente, passaram a utilizar em seus rituais imagens de santos católicos, que colocavam em seus altares (congás), ocultando a representação de seus deuses por sob as ditas imagens, e com isso passando aos brancos a idéia de estarem cultuando os santos.Com o avanço do processo de conhecimento dos negros sobre o catolicismo, estes começaram a detectar alguns pontos em comum entre as divindades africanas e os santos da igreja.Descobriram por exemplo que São Sebastião foi vítima de flechadas no interior da mata, assemelhando-o a Oxósse, o orixá das matas e cujo símbolo é o arco e a flecha. Tomaram conhecimento que São Jorge tinha sido um soldado com muitos feitos militares, passando os negros a assemelhá-lo a Ogum, o orixá protetor dos agricultores e vencedor de batalhas, e cujos símbolos são a espada e a lança, instrumentos que eram utilizados também pelos militares no Império Romano. Tiveram conhecimento também que São Lázaro teria tido seu corpo coberto de chagas, assemelhando-o de pronto a Omulú /Obaluayê, orixá responsável por doenças reajustadoras .Assim aconteceram outras semelhanças entre orixás e santos católicos. De acordo então com a divindade cultuada em determinado dia, os negros utilizavam as imagens dos santos assemelhados, para despistarem os brancos do seu verdadeiro culto. Deste histórico anteriormente citado é que sedimentou-se o sincretismo, ou seja semelhança entre orixás e santos, os primeiros, divindades africanas, os segundos, personalidades da igreja católica.Até aqui os leitores puderam observar que as religiões inseridas no contexto são o catolicismo e os cultos africanistas. Assim sendo, a Umbanda jamais esteve presente no processo de sincretismo, pois sequer tinha sido anunciada no plano físico, pois ela veio a surgir em 15 de novembro de 1908, no distrito de Neves, Niterói – RJ, através do médium Zélio fernandino de Moraes que "encorporou" um espírito missionário que apresentou-se como Caboclo das Sete Encruzilhadas que deu inicio a Umbanda. A confusão começa quando algumas pessoas ligadas aos cultos africanistas, e por isto enraizadas no sincretismo já falado, começam a migrar para a Umbanda. Achando que as Potências Cósmicas capitaneadoras da Umbanda e suas divindades são a mesma coisa, trazem também o sincretismo afro-católico.Deste equívoco, vemos hoje como resultado umbandistas estarem numa Gira em louver a Cosmopotência nomeada Ogum, reverenciando São Jorge; numa Gira em louvor a Cosmopotência nomeada Oxósse, reverenciando São Sebastião; numa Gira em louvor a Cosmopotência nomeada Xangô, reverenciando São Jerônimo, e assim por diante.Respeitamos os santos católicos que, diga-se de passagem, foram encarnados como nós, com virtudes e defeitos, mas devemos ter em mente que os mesmos são próprios da igreja católica e não da Umbanda. Por conta disto, o número de imagens nos templos umbandistas cresceu assustadoramente, parecendo mais altares católicos. Não negamos que as imagens, assim como os retratos e pinturas, representam para alguns um ponto de referência, de fixação, para concentração e oração. Porém, o mais importante é que os umbandistas tenham ciência de que as Potências Cósmicas da Umbanda (nomeadas Orixás), Santos Católicos, e Divindades Africanas, embora devam ser alvos do mesmo respeito, não são a mesma coisa. Na verdade o que ocorreu foi o respingamento na Umbanda de questões havidas entre o Catolicismo e os Cultos Africanistas. Esperamos com isto termos esclarecido nossos irmãos, desejazndo que daqui por diante possam pautar sua fé e devoção com convicção e discernimento.
15 de set. de 2011
7 de set. de 2011
CABOCLO PENA BRANCA - O IRMÃO UNIVERSAL!...
UM CABOCLO SEM FRONTEIRAS...
(Por Ras Adeagbo. )
Em 1929, o poderoso cacique Pena Branca, líder dos índios Yaqui do México, liderou uma revolta contra a opressão e a injustiça que vitimavam o seu povo. Desde este momento, nas terras americanas, o mito desta grande entidade nasceu. Pena Branca é hoje um símbolo de liberdade, autenticidade e fraternidade.
Entrando em contato com muitos irmãos de cultos afro-indígenas do México, Caribe e Estados Unidos, fiz esta pergunta a mim mesmo :
-”Será nosso Caboclo Pena Branca, esta mesma entidade ou um representante dela ? “
Certa vez, perguntei ao irmão Alberto Salinas, curandeiro e médium de uma tradição espiritualista mexicana, quais as principais entidades que incorporavam em seu templo. O primeiro nome que ouvi foi : Pena Branca. Em seguida, comentei que no Brasil, também incorporava um índio do mesmo nome. Ele não se surpreendeu e disse que outros “penas” também frequentavam sua sessão de cura, nada impedindo que fossem as mesmas entidades.
Longe dali, no Caribe, existe uma religião chamada de Vinte e Uma Divisões (ou Vinte e Uma Linhas) que é muito parecida com a nossa amada Umbanda. Nos terreiros deste culto, trabalham destemidos espíritos de índios, pretos velhos, exus (ali chamados de candelos) e outros espíritos familiares. Na Linha de Índio Bravo, uma das Vinte e Uma Linhas, encontramos também nosso velho amigo : Pena Branca !
Ali ele baixa, firme e elegante, dando brados e vivas imponentes. Com ele, também incorporam Águia Branca, Índio da Paz e outros “penas” : Pena Azul, Pena Negra, Pena Amarela, etc… Coincidência ?
Nos estados sulistas dos Estados Unidos, existem algumas igrejas espíritas…. Coisa bem diferente, pois por fora parece um templo evangélico e por dentro um terreiro. Os pastores são médiuns e bem íntimos com as manifestações do Mundo Invisível.
O espírito principal que chefia estas igrejas, as vezes chamadas de Igrejas Espiritualistas Africanas, é o Chefe Índio Falcão Negro.
Quando o Chefe Falcão se manifesta, ele puxa outros companheiros das aldeias do astral, como Nuvem Vermelha, Águia Negra (nomes de chefes indígenas que existiram) e entre eles está : Pena Branca ! Mais coincidência ?
Algumas fraternidades esotéricas americanas, que cultuam os Mestres Ascencionados como Saint Germain, El Morya e outros bem conhecidos da Nova Era, conhecem um belo Mestre curador. Ele aparece como um índio banhado em branca e luminosa luz, dando sábios conselhos e mensagens (veja uma imagem dele aqui reproduzida). Seu nome ? Mestre Pena Branca. Olha ele aqui de novo….
Em algumas ilhas do Caribe existe um culto chamado Obeah, de origem africana. Dentro dele são celebrados os mistérios dos espíritos de origem indígena taino, etnia local. Existem muitas entidades indígenas, a maioria com comportamento muito arredio e nomes de animais, como Cobra Verde, Pantera Negra, Jaguar Dourado e etc…
Quando incorpora a Falange do Povo Alado, simbolizada pelos pássaros e morcegos, um deles tem um destaque especial. Este espírito se apresenta sério, compenetrado, usa tabaco fortíssimo e uma pena branca na cabeça. Como é chamado ? Índio Pena Branca. Pois então, novamente o encontramos.
Na Venezuela existe um culto belíssimo, semelhante em tudo com a Umbanda de nossa terra. Tem caboclo, preto velho, exu, marinheiro, Orixás e tudo de bom. É a tradição de Maria Lionza, a Rainha Mãe da Natureza.
Na Linha Índia, comandada pelo famoso espírito do Cacique Gaicaipuro, incorporam centenas de caboclos venezuelanos e americanos. Eles trabalham com pemba, bebidas diversas, água, cocares, maracás e todo o aparato ameríndio. Chegam bradando e saudando o povo, que procura semanalmente os irmandades em busca de alívio, socorro material e espiritual.
Certo dia em Bonaire, uma ilhazinha perto da Venezuela, eu participava de um culto de Lionza. Perto do congá, estava um rapaz incorporado com um caboclo. Atento, o índio ouvia pacientemente uma velha senhora e a limpava com um maço de ervas perfumadas. A senhora chorava muito e tremia. No final da sessão, o semblante dela havia mudado. Feliz, ela sentou-se no banco da assistência e orava agradecida.
Curioso, eu me aproximei e perguntei o nome da entidade que a atendeu. A velha irmã respondeu com reverência. Adivinhem o nome do caboclo. Ele mesmo, o grande índio Pena Branca !
O tempo passou e a pergunta ainda batia dentro da minha cabeça. Será que é o mesmo Pena Branca ? Terá este caboclo conhecido da Umbanda viajado tanto assim ? Afinal, ele é mexicano, americano ou brasileiro ? Quem, afinal, nasceu primeiro, o Pena Branca daqui ou de lá ? Inquietações de um pesquisador, pois os afilhados e médiuns de Pena Branca não ficam, creio eu, tão preocupados com a sua origem.
Uma bela noite, em um modesto e tranquilo terreiro umbandista do interior paulista, acontecia uma gira de caboclo.
A líder do terreiro abriu o trabalho e incorporou. Seu Pena Branca estava em terra, em todo o seu esplendor e força.
Fiquei atento, lembrei-me do Caribe e pensava em tudo isso que agora escrevo aqui.
O caboclo Pena Branca riscou seu ponto, pediu um charuto, deu algumas ordens ao cambono e olhou para onde eu estava. Senti uma estranha energia percorrer minha espinha. Ele continuou olhando e acenou. Me levantei e acenei de volta.
Foi então que ele falou :
- Filho, era eu, lembra ? Tem aí um maço de ervas bem cheiroso para mim ?
Salve Seu Pena Branca !
ORAÇÃO A SEU PENA BRANCA...
(rezada no Caribe)
Em nome de Deus Todo Poderoso,
Eu invoco o grande Pena Branca,
fiel espírito índio, grande herói,
zelador de meu altar e morada.
A você que me guia e conhece minhas necessidades,
peço proteção e luz.
Livra-me de toda má intenção e inimigos, ocultos ou manifestados.
Vigia meus caminhos e que nenhum feiticeiro ou bruxo malvado,
possa cruzar comigo.
Grande espírito, te ofereço esta vela (acender uma vela verde) e chamo seu nome.
Amém !
RECEITAS TRADICIONAIS:
BANHO DE PROTEÇÃO PENA BRANCA ...
(utilizado no Caribe)
4 litros de água,
Um pouco de erva cidreira,
Um pouco alfavaca,
Algumas pétalas de rosa branca.
Ferver as ervas, esperar esfriar um pouco e acrescentar as pétalas.
Acender uma vela verde antes do banho.
ÁGUA DE PENA BRANCA PARA PURIFICAR A RESIDÊNCIA:
(receita da Obeah).
1 litro de água mineral,
Um pouco de erva cidreira,
Um pouco de arruda,
Um pouco de verbena,
Sete gotas de essência de almíscar.
Misturar as ervas e ferver. Deixar esfriar e adicionar a essência.
Acender uma vela verde e pedir a Pena Branca para benzer a água.
Depois que a vela acabar, borrifar os cantos da casa, cama e objetos pessoais.
VELA MÁGICA DE PENA BRANCA PARA TRAZER PAZ
:(receita do culto Maria Lionza).
Uma vela de sete dias branca,
Um pouco de melaço de cana,
Um pouco de açúcar cândi,
Sete cravos-da-índia,
Sete gotas de essência de rosas,
Sete gotas de essência de verbena.
Misturar em um prato o melaço, açúcar e as essências. Untar a vela (mas não o pavio) e espetar os cravos nela, formando uma cruz (pode fazer os furinhos com a ajuda de um prego fino). A vela deve estar sem a capa de plástico. Acender a vela e pedir a ajuda deste caboclo.
Fonte: Web site: www.jornaldeumbandasagrada.com.br
21 de ago. de 2011
BENZIMENTO!...
O Benzimento é uma prática muito antiga presente na maioria das culturas, religiões e seitas.
Benzer significa tornar Santo ou Bento. Bento também pode ser o nome que se dá ao Benzedor.
O Benzimento consiste em um conjunto de rezas, na formulação de garrafadas, seja de proteção ou de dosagem para proteção de casas, crianças, animais de estimação, plantas, proteção do corpo e de espírito. Utiliza-se dos mais variados objetos no ato de Benzer. Esses objetos funcionam como catalisadores e ampliadores da energia movimentada pelo Bento. O Benzedor ou Bento é aquele que movimenta energias e forças de cura em favor de outrem. O bom Bento, ou seja, aquele que realiza o Benzimento torna-se uma ferramenta prática de auxílio ao próximo e a ele mesmo.
O Benzimento sempre dá certo desde que se tenha confiança no poder das energias movimentadas, é evidente que também se deve confiar no benzimento.
No Brasil ganhou força no período da colonização junto aos imigrantes que chegaram. Vale lembrar que os próprios índios aqui já estabelecidos praticavam seus rituais de cura dentro de um conjunto de orações no seu próprio dialeto. Entre os colonos tínhamos dois ramos predominantes no Benzimento de acordo com a concepção cultural da época: os Benzedores ou Rezadores e as Parteiras.
Benzedores ou Rezadores eram os homens que tinham um dom de rezar e benzer, seja com as próprias mãos ou com um objeto de sua preferência.
As parteiras eram as mulheres especializadas em partos no qual um bom parto se fazia rezando.
Na verdade ambos eram Bentos, mas por questões de fundo cultural ficou estabelecida desse modo essa divisão.
O Benzimento nessa época, e ainda hoje em locais afastados ou de difícil acesso, atendia às necessidades mais precárias da população onde o acesso a um médico era muito restrito.
Embora a medicina oficial considerar superstição a terapêutica holística do benzimento, em verdade, ela chicoteia e desintegra os fluidos nocivos que nutrem os vírus de certas infecções.
É tudo uma questão de movimentar as ondas e raios energéticos. Sob o comando espiritual do Bento, as energias são movimentadas para que o doente seja curado. Cura-se primeiro a parte etérea do ser, para que isso também ocorra na parte física.
O Benzimento se aprende dentro de uma tradição na qual quem sabe e foi preparado ensina quem precisa independente de crença ou religião. Sendo assim, o Benzimento é livre a qualquer pessoa que queira aprender. É passado geralmente de forma familiar, geralmente no fim da vida daquele que passa o conhecimento. Também pode ser passado de mestre para discípulo, dentro de uma Ordem de Bentos. E ainda existe a possibilidade daqueles que nascem com o dom, nunca aprenderam com ninguém, mas são ótimos Bentos.
Para um bom Benzimento não existe hora e nem lugar, não importa o dia e nem a Lua, o que importa é a força que o Bento usa na expressão e aplicação do verbo, pois benzer é fazer um jogo de palavras com poder de ação no etéreo e no físico.
Alguns materiais utilizados pelo Bento servem como verdadeiros pára-raios e por isso que às vezes são enterrados, despachados no mar, rios, cachoeiras ou água corrente, etc.
O dom ou a faculdade de curativa é inerente ao Bento, a preferência por certo objeto, erva, ou certa gesticulação, serve-lhe de catalisador do próprio benzimento.
Utiliza-se sempre o ato de cruzar (sinal da cruz) no Benzimento. E contrariando o que a maioria das pessoas acha, o ato de cruzar nada tem haver com o Cristianismo. O ato de cruzar e a própria cruz é um costume muito anterior ao Cristianismo e presente em várias culturas assim como o benzimento. É claro que todos os Bentos fazem Benzimentos baseados na fé que professam, mas isso não difere em nada o Benzimento no contexto geral.
Todos nós estamos impregnados de forças curativas utilizadas no Benzimento e poderíamos operar verdadeiros milagres. Não é preciso ser médium para ser um Bento. Qualquer um está apto a ser um Bento, só são necessários os seguintes requisitos:
Coração puro, limpo, livre de sentimentos ruins;
Ter a mente pura, limpa, tranqüila e livre de pensamentos negativos;
Desejo sincero de ajudar o próximo, livres de vaidades, egoísmos e espera de recompensas;
Na medida do possível evitar ter vícios para não repassarmos venenos tóxicos ao paciente;
Ter fé e acreditar muito naquilo que estamos fazendo.
(Rogério J Pinheiro)
(Recebi por e-mail)
Benzer significa tornar Santo ou Bento. Bento também pode ser o nome que se dá ao Benzedor.
O Benzimento consiste em um conjunto de rezas, na formulação de garrafadas, seja de proteção ou de dosagem para proteção de casas, crianças, animais de estimação, plantas, proteção do corpo e de espírito. Utiliza-se dos mais variados objetos no ato de Benzer. Esses objetos funcionam como catalisadores e ampliadores da energia movimentada pelo Bento. O Benzedor ou Bento é aquele que movimenta energias e forças de cura em favor de outrem. O bom Bento, ou seja, aquele que realiza o Benzimento torna-se uma ferramenta prática de auxílio ao próximo e a ele mesmo.
O Benzimento sempre dá certo desde que se tenha confiança no poder das energias movimentadas, é evidente que também se deve confiar no benzimento.
No Brasil ganhou força no período da colonização junto aos imigrantes que chegaram. Vale lembrar que os próprios índios aqui já estabelecidos praticavam seus rituais de cura dentro de um conjunto de orações no seu próprio dialeto. Entre os colonos tínhamos dois ramos predominantes no Benzimento de acordo com a concepção cultural da época: os Benzedores ou Rezadores e as Parteiras.
Benzedores ou Rezadores eram os homens que tinham um dom de rezar e benzer, seja com as próprias mãos ou com um objeto de sua preferência.
As parteiras eram as mulheres especializadas em partos no qual um bom parto se fazia rezando.
Na verdade ambos eram Bentos, mas por questões de fundo cultural ficou estabelecida desse modo essa divisão.
O Benzimento nessa época, e ainda hoje em locais afastados ou de difícil acesso, atendia às necessidades mais precárias da população onde o acesso a um médico era muito restrito.
Embora a medicina oficial considerar superstição a terapêutica holística do benzimento, em verdade, ela chicoteia e desintegra os fluidos nocivos que nutrem os vírus de certas infecções.
É tudo uma questão de movimentar as ondas e raios energéticos. Sob o comando espiritual do Bento, as energias são movimentadas para que o doente seja curado. Cura-se primeiro a parte etérea do ser, para que isso também ocorra na parte física.
O Benzimento se aprende dentro de uma tradição na qual quem sabe e foi preparado ensina quem precisa independente de crença ou religião. Sendo assim, o Benzimento é livre a qualquer pessoa que queira aprender. É passado geralmente de forma familiar, geralmente no fim da vida daquele que passa o conhecimento. Também pode ser passado de mestre para discípulo, dentro de uma Ordem de Bentos. E ainda existe a possibilidade daqueles que nascem com o dom, nunca aprenderam com ninguém, mas são ótimos Bentos.
Para um bom Benzimento não existe hora e nem lugar, não importa o dia e nem a Lua, o que importa é a força que o Bento usa na expressão e aplicação do verbo, pois benzer é fazer um jogo de palavras com poder de ação no etéreo e no físico.
Alguns materiais utilizados pelo Bento servem como verdadeiros pára-raios e por isso que às vezes são enterrados, despachados no mar, rios, cachoeiras ou água corrente, etc.
O dom ou a faculdade de curativa é inerente ao Bento, a preferência por certo objeto, erva, ou certa gesticulação, serve-lhe de catalisador do próprio benzimento.
Utiliza-se sempre o ato de cruzar (sinal da cruz) no Benzimento. E contrariando o que a maioria das pessoas acha, o ato de cruzar nada tem haver com o Cristianismo. O ato de cruzar e a própria cruz é um costume muito anterior ao Cristianismo e presente em várias culturas assim como o benzimento. É claro que todos os Bentos fazem Benzimentos baseados na fé que professam, mas isso não difere em nada o Benzimento no contexto geral.
Todos nós estamos impregnados de forças curativas utilizadas no Benzimento e poderíamos operar verdadeiros milagres. Não é preciso ser médium para ser um Bento. Qualquer um está apto a ser um Bento, só são necessários os seguintes requisitos:
Coração puro, limpo, livre de sentimentos ruins;
Ter a mente pura, limpa, tranqüila e livre de pensamentos negativos;
Desejo sincero de ajudar o próximo, livres de vaidades, egoísmos e espera de recompensas;
Na medida do possível evitar ter vícios para não repassarmos venenos tóxicos ao paciente;
Ter fé e acreditar muito naquilo que estamos fazendo.
(Rogério J Pinheiro)
(Recebi por e-mail)
18 de jul. de 2011
BATUQUE!...
Batuque: é uma Religião Afro-brasileira de culto aos Orixás encontrada principalmente no
estado do Rio Grande do Sul, Brasil, de onde se estendeu para os países vizinhos tais como
Uruguai e Argentina.
'Religiões afro-brasileiras'...
Princípios Básicos:
Deus:
Ketu | Olorum | Orixás
Jeje | Mawu | Vodun
Bantu | Nzambi | Nkisi
Templos afro-brasileiros:
Babaçuê | → Batuque | Cabula
Candomblé | Culto de Ifá
Culto aos Egungun | Quimbanda
Macumba | Omoloko
Tambor-de-Mina | Terecô | Umbanda
Xambá | Xangô do Nordeste
Sincretismo | Confraria
Literatura afro-brasileira
Terminologia
Sacerdotes
Hierarquia
Religiões semelhantes:
Religiões Africanas Santeria Palo Arará Lukumi Regla de Ocha Abakuá Obeah
Batuque é fruto de religiões dos povos da Costa da Guiné e da Nigéria, com as nações Jêje,
Ijexá, Oyó, Cabinda e Nagô.
História...
A estruturação do Batuque no estado do Rio Grande
do Sul deu-se no início do século XIX, entre os anos
de 1833 e 1859 (Correa, 1988 a:69). Tudo indica
que os primeiros terreiros foram fundados na região
de Rio Grande e Pelotas. Tem-se notícias, em jornais
desta região, matérias sobre cultos de origem
africana datadas de abril de 1878, (Jornal do
Comércio, Pelotas). Já em Porto Alegre, as noticias
relativas ao Batuque, datam da segunda metade do
século XIX, quando ocorreu a migração de escravos
e ex-escravos da região de Pelotas e Rio Grande
para Capital.
Os rituais do Batuque seguem fundamentos, principalmente das raízes da nação Ijexá,
proveniente da Nigéria, e dá lastro as outras nações como o Jêje do Daomé, hoje Benim,
Cabinda (enclave Angolano) e Oyó, também, da região da Nigéria. O Batuque surgiu como
diversas religiões afro-brasileiras praticadas no Brasil, tem as suas raízes na África, tendo
sido criado e adaptado pelos negros no tempo da escravidão. Um dos principais
representantes do Batuque foi o Príncipe Custódio de Xapanã. O nome batuque era dado
pelos brancos, sendo que os negros o chamavam de Pará. É da Junção de todas estas
nações que se originou esta cultura conhecida como Batuque, e os nomes mais expressivos
da antiguidade, que de uma maneira ou de outra contribuíram para a continuidade dos
rituais foram:
Cantando para os Orixás:
• Ijexá — Paulino de Oxalá Efan, Maria Antonia de
Assis (Mãe Antonia de Bará), Manoel Matias (Pai
Manoelzinho de Xapanã), Jovita de Xangô; Miguela
do Bará, Pai Idalino de Ogum, Estela de Yemanjá,
Ondina de Xapanã, Ormira de Xangô, Pedro de
Yemanjá,Pai Tuia de Bará,Pai Tita de Xangô; Menicio
Lemos da Yemanjá Zeca Pinheiro de Xapanã, Mãe
Rita de Xangô Aganju,entre outros.
• Oyó — Mãe Emília de Oyá Lajá, princesa Africana ,
Pai Donga da Yemanjá, Mãe Gratulina de xapanã,
Mãe "Pequena" de Obá, Mãe Andrezza Ferreira da Silva, Pai Antoninho da Oxum, Nicola
de Xangô, Mãe Moça de Oxum, Miguela de Xangô, Acimar de Xangô, Toninho de Xangô e
Tim de Ogum, entre outros.
• Jêje — Mãe Chininha de Xangô, Príncipe Custódio de Xapanã, João Correa de Lima
(Joãozinho do Exú By) responsável pela expansão do Batuque no Uruguai e Argentina, Zé
da Saia do Sobô, Nica do Bará, Alzira de Xangô, Pai Pirica de Xangô;Mãe Dada de Xangô;
Leda de Xangô; Pai Tião de Bará; Pai Nelson de Xangô, Pai Vinícius de Oxalá entre
outros.
• Cabinda — Waldemar Antônio dos Santos de Xangô Kamuká; Maria Madalena Aurélio da
Silva de Oxum, Palmira Torres de Oxum, Pai Henrique de Oxum, Pai Romário de Oxalá,
Pai Gabriel da Oxum,Mãe Marlene de Oxum, Pai Cleon de Oxalá, entre outros.
As Entidades...
As entidades cultuadas são as mesmas em quase todos terreiros, os assentamentos tem
rituais e rezas muito parecidos, as diferenças entre as nações é basicamente em respeito as
tradições próprias de cada raiz ancestral, como no preparo de alimentos e oferendas
sagradas. O Ijexá é atualmente a nação predominante, encontra-se associado aos rituais de
todas nações.
Crenças...
O batuque é uma religião onde se cultuam vários
Orixás, oriundos de várias partes da África, e suas
forças estão em parte dentro dos terreiros, onde
permanecem seus assentamentos e na maior parte na
natureza: rios, lagos, matas, mar, pedreiras, cachoeiras
etc., onde também invocamos as vibrações de nossos
Orixás.
Todo ser humano nasce sob a influencia de um Orixá, e
em sua vida terá as vibrações e a proteção deste Orixá
que está naturalmente vinculado e rege seu destino,
com características individuais, em que o Orixá exige sua dedicação, onde este poderá ser
um simples colaborador nos cultos, ou até mesmo se tornar um Babalorixá ou Iyalorixá.
Há uma questão de ordem etmológica no Termo Pará, onde afirma-se ser este o outro nome
pelo qual é conhecido o Batuque, ora sabe-se que todo frequentador de Terreiros chama na
verdade o Peji ou quarto-de-santo de Pará e não o ritual sagrado dos Orixás, este sim o
Batuque. Esta questão já está dimensionada desde os anos 50, nas pesquisas etnográficas
de Roger Bastide sobre a Religião Africana no Rio Grande do Sul. São consideradas
Religiões afro-brasileiras, todas as religiões que tiveram origem nas Religiões tradicionais
africanas, que foram trazidas para o Brasil pelos escravos.
As Religiões afro-brasileiras são relacionadas com a Religião Yorubá e outras Religiões
africanas, e diferentes das Religiões Afro-Caribenhas como a Santeria e o Vodu.
Orixás...
O culto, no Batuque, é feito exclusivamente aos Orixás,
sendo o Bará o primeiro a ser homenageado antes de
qualquer outro, e encontra-se seu assentamento em
todos os terreiros, no Candomblé o chamam de Exú.
Entre os Orixás não há hierarquia, um não é mais
importante do que o outro, eles simplesmente se
completam cada um com determinadas funções dentro
do culto. Os principais Orixás cultuados são: Bará,
Ogum, Oiá-Iansã, Xangô, Ibeji (que tem seu ritual ligado
ao culto de Xangô e Oxum), Odé, Otim, Oba, Ossaim,
Xapanã, Oxum, Iemanjá, Oxalá e Orunmilá (ligado ao culto de Oxalá).
E há também divindades que nem todas nações cultuam como: Exú Elegbara, Gama (ligada
ao culto de Xapanã), Zína, Zambirá e Xanguín (qualidade rara de Bará) que só os mais
antigos tem conhecimentos suficientes para fazer seus rituais.
Templos...
No Rio Grande do Sul a área de conservação das religiões africanas vai de Viamão à
fronteira do Uruguai, com os dois grandes centros de Pelotas e de Porto Alegre.
No batuque, os templos terreiros são quase que
em sua totalidade vinculados as casas de moradia.
É destinado um cômodo, geralmente na parte da
frente da construção onde são colocados os
assentamentos dos Orixás. Neste local são feitos
todos os fundamentos de matanças e trabalhos
determinados, oferendas para os Orixás, e o local
é considerado sagrado, pessoas vestidas de preto,
mulheres em dias de menstruação não entram.
Junto a esta parte da casa, chamada de quarto de
Santo ou Peji, há o salão onde são realizadas as
festas para os Orixás.
O estado do Rio Grande do Sul foi o maior responsável pela exportação dos rituais africanos
para outros países da América do Sul, entre eles Uruguai e Argentina, que também
procuram seguir a maneira de cultuar os Orixás, e a construção dos templos seguem
exemplos dos seus sacerdotes.
Todos os Orixás são montados com ferramentas, Okutás (pedras) etc. e permanecem dentro
da mesma casa, com exceção do Bará Lodê e do Ogum Avagãn, que tem seus
assentamentos numa casa separada, ficando à frente do templo onde recebem suas
oferendas e sacrifícios. A casa dos Eguns também tem lugar definido, é uma construção
separada da casa principal, na parte dos fundos do terreiro, onde são feitos diversos rituais.
Em caso de falecimento do Babalorixá ou Iyalorixá, dono do terreiro, fica a critério da
família o destino do templo, geralmente não tendo um familiar que possa suceder o morto o
templo é fechado. Na maioria dos casos na morte de um sacerdote, todas as obrigações são
despachadas num ritual especifico chamado de Erissum (Axexê), por este motivo é muito
difícil encontrar ilês (casas) com mais de 60 anos, são muito poucos os sacerdotes que
destinam seus axés a um sucessor, para dar prosseguimento à raiz.
Rituais...
Os rituais são próprios e originais e embora tenha
alguma semelhança com o "Xangô de Pernambuco", é
muito diferente do Candomblé da Bahia.
Os rituais de Jêje tem suas rezas próprias (fon), e ainda
se vê este belo ritual em dois grandes terreiros na
cidade de Porto Alegre, as danças são executadas de
par, um de frente para o outro. Há também muitas
casas que seguem os fundamentos da nação Oyó que se
aproxima muito do ijexá, já que, estas duas provem de
regiões próximas na Nigéria.
A principal característica do ritual do Batuque é o fato do iniciado não poder saber em
hipótese alguma que foi possuído pelo seu Orixa, sob pena de ficar louco.
Cada Babalorixá ou Iyalorixá tem autonomia na prática de seus rituais, não existem
nomenclaturas de cargos como tem no Candomblé, exercem plenos poderes em seus ilês.
Os filhos de santo se revezam nos cumprimentos das obrigações.
No mínimo uma vez por ano são feitos homenagens com toques para os Orixás, mas as
festas grandes são de quatro em quatro anos. Chamamos de festa grande a obrigação que
tem ebó, ou seja quando há sacrifícios de animais de quatro patas aos Orixás, cabritos,
cabras, carneiros, porcos, ovelhas, acompanhados de aves como galos, galinhas e pombos.
Esta obrigação serve para homenagear o Orixá "dono da casa" e dos filhos que ainda não
possuem seu próprio templo. A data é geralmente a mesma que aquele sacerdote teve
assentado seu Orixá, a data de sua feitura. As festas têm um ciclo ritual longo, que
antigamente duravam 32 dias de obrigações, hoje diante das dificuldades duram no máximo
16. O começo de tudo são as limpezas de corpo e da casa, para descarregar totalmente o
ambiente e as pessoas, de toda e qualquer negatividade; em seguida são preparados as
oferendas e sacrifícios ao Bará. A partir deste momento, os iniciados já ficam confinados ao
templo, esquecendo então o cotidiano e passam a viver para os Orixás por inteiro até o final
dos rituais. No dia do serão (dia da obrigação de matança), todos Orixás recebem sacrifícios
de animais. Os cabritos e aves são preparados com diversos temperos e servidos a todos
que participarem dos rituais, tudo é aproveitado, inclusive o couro dos animais, que sevem
para fazer os tambores usados nos dias de toques.
No dia da festa o salão é enfeitado com as cores dos Orixás homenageados. A abertura se
dá com a chamada (invocação aos Orixás), feita pelo sacerdote em frente ao peji (quarto de
santo), usando a sineta (adjá), saudando todos Orixás. Ao som dos tambores, as pessoas
formam uma roda de dança em louvor aos Orixás, a cada um com coreografias especiais de
acordo com suas características.
No final das cerimônias são distribuídos os mercados, (bandejas contendo todo tipo de
culinária dos Orixás como: acarajé, axoxó (milho cozido e fatias de coco), farofa de aves,
carnes de cabritos (cozidas ou assadas), frutas, fatias de bolos etc.), alguns consomem ali
mesmo, outros levam para comer em casa.
Durante a semana são feitos outros rituais de fundamentos para os Orixás, inclusive a
matança de peixe, que para os batuqueiros significa fartura e prosperidade, os peixes
oferecidos são da qualidade Jundiá e Pintado; estes são trazidos vivos do cais do porto ou
do mercado público, onde o comércio de artigos religiosos é intenso.
No sábado seguinte é feito o encerramento das obrigações, com mesa de Ibejes e toque,
novamente em homenagem aos Orixás, neste dia são distribuídos mercados com iguarias e
o peixe frito, significando a divisão da fartura e prosperidade com os participantes das
homenagens aos Orixás. Após o encerramento, o sacerdote leva os filhos que estavam de
obrigações ao rio, à igreja, ao mercado público e à casa de alguns sacerdotes, que fazem
parte da família religiosa, para baterem cabeça em sinal de respeito e agradecimento; este
passeio faz parte do cumprimento dos rituais. Após o passeio todos estão liberados para
seguirem normalmente o cotidiano de suas vidas.
Egun...
No Batuque também temos a parte dos rituais destinados ao culto dos Eguns. Este é um
ritual cheio de magia e segredos onde poucos sacerdotes têm o completo domínio.
A casa dos Eguns (espíritos dos mortos) fica numa construção separada da casa principal,
nos fundos do terreno, onde são feitos diversas obrigações em determinadas datas e
quando morre alguém ligado ao terreiro; este local é denominado Balê.
Aos Eguns também são oferecidos sacrifícios de animais, e comidas diversas que fazem
parte somente deste ritual, não podendo ser usados em outras ocasiões.
Os Eguns, assim como os Orixás, tem suas rezas (cânticos) próprias, feitos na linguagem
yorubá, e em dias de obrigações recebem toques ao som de tambores frouxos e com o
acompanhamento de agê (instrumento feito com uma cabaça inteira trançada com cordão e
contas diversas).
Cada nação tem rituais diferentes para este tipo de obrigação.
Sacerdócio...
O babalorixá ou Iyalorixá tem a responsabilidade de formar novos sacerdotes, que darão
continuidade aos rituais. Para isto é preciso preparar novos filhos de santo, que durante um
certo período de tempo aprenderão todos os rituais para preservação dos cultos.
O sacerdote chefe deve passar aos futuros Pais ou Mães de Santo, todos os segredos
referente aos rituais tais como: uso das folhas (folhas sagradas), execução de trabalhos e
oferendas, interpretação do jogo de búzios, e até mesmo como preparar um novo sacerdote.
Geralmente o futuro sacerdote já nasce no meio religioso, onde conviverá acompanhando
todos os diversos rituais que darão suporte a seus afazeres dentro do culto, e terá pleno
conhecimento de todos os tipos de situações que enfrentará em seu futuro templo.
O tempo de aprendizado é longo, não se forma um verdadeiro sacerdote de Orixás com
menos de sete anos de feitura, e os ensinamentos são passados de acordo com a evolução
da capacidade de aprendizado que o noviço tem, já que os ensinamentos são feitos
oralmente, não há livros para ensinar os rituais, a melhor maneira de aprender tudo é
conviver desde cedo dentro dos terreiros.
A partir do momento que um noviço se torna um sacerdote de Orixá, terá as mesmas
responsabilidades daquele que lhe passou os ensinamentos.
30 de nov. de 2010
16 de set. de 2010
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